Audrey não era normal

Patu Antunes em Barcelona

O bundalelê Setembro 29, 2008

Arquivado em: Fogo — Patu Antunes @ 7:35 pm
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Foi comportada minha “festa” de aniversário. Chamo de “bundalelê”, mas é só para vocês esperarem o melhor e já darem uma risadinha. Subterfúgios à parte, ninguém bebeu demais, deu escândalo, subiu na mesa. Nenhum casal se enriçou em uma homérica briga de casal. (Quase) Ninguém saiu sem pagar a conta. Graças a Deus ninguém revelou algum segredo cabeludo (bom, mais ou menos… mas como ainda é segredo, deixa pra lá!). E, principalmente, quase todos os amigos queridos habituais e os queridos que não vejo nunca, apareceram (Eiras e Tati, hummm). Ufa!!!

Devo confessar que passei três quartos do meu inferno astral com tudo em cima. Até chamei de (des)inferno astral. Mas na última semana, na última semana dos 34 anos, sei lá… me sentia estranha. Trinta e cinco , subitamente, pareceu ter um peso tão grande. E eu, em absoluto, me sinto com essa carga nos ombros. Parece um conflito da minha visão histórica (“O que significa ter 35 anos na sociedade?” “Recordar é Viver”) com a minha visão pessoal (“Vou ter que deixar de usar tênis velhos e estampas de florzinha???”), e como resultado me pego, em alguns momentos da última fatídica semana, fazendo todo tipo de crítica feroz a meu respeito:

a) “Com 35 anos você já deveria ter um pé-de-meia!!!!”;

b) “Do jeito que vão as coisas, você nunquinha vai fazer aqueeeeeela viagem”…

c) “Duvido que você tenha colhões de pirar na batatinha outra vez e picar a mula daí – e isso não quer dizer voltar pro Brasil”.

d) “Mudar de profissão? Outra vez?”

e) “Tá na hora de dar um jeito nas varizes, medir a glicose, fazer teste pra Alzheimer”.

f) Etccccccccc…….

E assim levantei no sábado. O dia voou (como sempre). 10h30, 14h, 18h, 20h30. Christos Mu saiu de manhã e voltou às 5 da tarde com meu presente (uma impressora!!!!!!! :) ). Depois, começou a tocar violão (o violão aqui em casa agora funciona como nos musicais de Hollywood: os personagens estão tendo uma conversa normal e aí de repente um começa a cantar e dançar… uma loucura)… e eu comecei a me… sei lá, irritar? Pensei nos itens a, b, c, d, e, f ao mesmo tempo… E fui pra cozinha começar a fazer os pavês (deixamos a idéia do bolo de lado porque eu NÃO sei fazer bolo e NÃO tenho forno). E Christos Mu no violão. Pensei, meio rabugenta, “Ok, eu faço do meu jeito e nada de ele dar palpite… grrrrrr…..”.

Bom, não foi nada disso. Em algum momento do pavê, ele deixou placidamente o violão do lado e se APOSSOU da cozinha. Como se fosse muito natural. Ai, itens a, b, c, d, e, f na minha cabeça… Por que a existência tem que ser uma coisa esquisita???

No final das contas, saiu uma coisa que não era pavê (aí culpa minha porque substituí nata de montar por leche evaporada – aqui não tem creme de leite, humpf!!!!), mas não ficou malz. Fui me arrumar e me dei conta que o modelito estava todo amarrotado!!!!!!!! Buf. Peguei outro, um pretinho de renda, que usei só uma vez, no réveillon de 2006 (quando fui pra Londres ver a Mariana, a Adriana e a Nô). Modéstia à parte, a fofa aqui estava uma gata.

Aí, eis que não sei como nem por quê, surgiu aquele gênio da chatice no Christos Mu. Os dois, já prontinhos pra sair e o gato tem um dos seus ataques anti-sociais: ele não queria me dizer, mas preferia não ter que arredar o pé de casa. Obviamente essa opção existia. Ou ele vinha ou ficava sozinho em casa. Eu, como já tava até os sesos com os itens a,b,c,d,e,f, disse que ele podia ficar se quisesse… eu não ia me chatear com isso (mentira porque só deus sabe, né?). Ele ficou mais puto ainda – com ele, é lógico – e veio. Com a cara fechada, irritado com o próprio ataque anti-social. Ai, itens a,b,c,d,e,f….

Chegamos no Bar Masia, no coração do Raval, às 22h (uma hora depois do combinado). Já tinha umas 10 pessoas e aí, bom, relaxei… Bati papinho com um, com outro, bebi vinhozinho, bebi cavinha, pavezinho… Meus três CDs de trilha sonora pra noite não tocaram (o CD player do bar era muito velho)… Tudo bem… O gatinho não ficou colado em mim como sempre, mas aos poucos a dureza da cara foi se desfazendo.

Devo confessar que ontem levantei meio P* da cara… Não queria culpar o gato pelo dia não-perfeito, mas, poxa… precisava ter ficado anti-social bem no 27 de setembro? Por fim, às 22h do domingo, começamos a ver um filme: “A Princesa Mononoke”, do Hayao Miyazaki. Dormi felizinha e em conchinha. E hoje levantei linda outra vez. :)

*** Também recebi msn-mails-sms-delícia: Grazi (chuif, queria ter escutado o telefone!!!), Monica, Ju (eu tava sonhando contigo, acredita?), Nicolau (meu computador travou!!!), Rodrigo, Ma (te quiero te quiero), Carla (linda linda), Babão (te quiero te quiero!!!!!!), Eudes (também amo vc!!!), Jane, Marcia, Adriano, Erika, Leandro, Juju, Vanessa, etc, etc, etc… Milhõõões de beijos!!!!

*** Assisti “Vicky Cristina Barcelona” e amei!!! Escrevi no blog do Globo: www.oglobo.com.br/blogs/barcelona

 

No (des)inferno astral Setembro 17, 2008

Arquivado em: Terra — Patu Antunes @ 4:36 pm
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Em 10 dias chego aos 35! Nem acredito. 35. Com a minha idade, minha mae já tinha quatro rebentas. Minha irma Maninha já era avó. E eu, ainda pensando se vou querer “criaturas” (acho que nao vou contribuir ainda mais para a degeneraçao ambiental, nao; Vou continuar uma monstra responsável só por mim e unicamente por mim e já está mais que bom).

Christos Mu chegou, lindo e fofo como sempre. Disse que havia engordado, que tinha até pancinha. Mentira patateira!!! Nem um grama de massa extra, nada fora do lugar, nada em excesso. O gato continua lindo (oba!!)… e estou me esbaldando nessas semanas de inferno astral.

Bom, de inferno realmente nao tenho tido nada. O ritmo está até mais moderado, mais concentrada no livro, finalmente começando a dar forma a mil patas e colheres que metem no meu trabalho. Nao tenho tido vontade reclamar, na verdade. A acupuntura deve ter algo a ver com isso, quem sabe… O fato é que “fui promovida” das agulhadas (doloridas) da dra. Carmen. Agora vou só a cada 15 dias. 

Também retomei o tai-chi esta semana… uau, simples e eficaz!! Minha coluna sente os benefícios imediatamente. Mas, de todas formas, continuo sentindo falta de fazer exercício MESMO, suar. Me prometi fazer uns asanas de ioga em casa. Umas três vezes por semana seria ótimo.

E, para nao dizer que nao arredo o pé, no fim de semana fomos pra Zaragoza. Nao sei se muita gente ficou sabendo, mas a “Exposiçao Internacional” deste ano foi lá. O tema era água. Bom, aquelas coisas faraônicas. Construíram vários novos edifícios (já devidamente comprados pelas grandes corporaçoes), a cidade ganhou umas coisas legais (revitalizaçao das margens do rio que corta a cidade, uma nova estaçao de trem/bus) e outras nem tao legais (preços mais caros em tudo…), mas a Expo mesmo foi bem fraca em conteúdo. O pavilhao do Brasil nao foi abaixo de zero, mas nao alcançou nem 5. O espaço era até razoável (dentro do pavilhao da América Latina), mas… que trabalho mais porcaria. Colocaram umas fotos e uns textos supergenéricos sobre as três bacias (Amazônica, da Prata e do Sao Francisco), com uns videozinhos que repetiam os textos das paredes. Uma M-E-R-D-A. Comparando com a maioria dos outros da Expo, nao estava ruim (vários países, por exemplo, ignoraram que o tema era água e simplesmente montaram quiosques de venda de quinquilharias). Masssssssssssssssssssss, o Brasil nao tinha esse direito. O tema era ÁGUA. ÁGUA!!! ÁGUA!!! Parece que quando o assunto nao é futebol nem carnaval, nao vale a pena tentar nem discutir.

Dos pavilhoes que vi, o único que realmente valeu a pena foi o do Japao. Simples e direto. Mostraram um filme fofíssimo (uma animaçao baseada no teatro de sombras) e o trajeto incluía info sobre o supercomputador que calcula o “estado da Terra” (o estado ambiental); uma simulaçao das inundaçoes e secas no mundo todo, no final deste século, como resultado das mudanças climáticas em curso hoje (é assustador!!!!! O Brasil estará ferradooooo!!!! Praticamente o país inteiro vai ter, ininterruptamente, secas fortíssimas alternadas com inundaçoes horrorosas…); e também um alto-falante que reverbera o som através da água. Muito japa. Saí de lá realmente pensando no inferno que será o mundo em uns 80 ou 100 anos. Pobres pessoas do futuro.

Beijosssss……..

 

Confirmado: ossada de Perus é mesmo de Miguel Sabat Nuet Setembro 3, 2008

Arquivado em: Terra — Patu Antunes @ 3:01 am
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Oficialmente a ditadura brasileira (1964-1985) acaba de contabilizar a responsabilidade por mais uma morte e, para piorar, de um INOCENTE. Saiu na sexta-feira passada a confirmação, via DNA, de que ossos que acreditavam ser de Miguel Sabat Nuet, aquele catalão morto pelo DOPS (leia-se: Luís Fleury) em 1973, são mesmo dele.

A história é longa (podem vê-la com mais detalhe nas matérias que estão em “Por estas linhas tortas”, que publiquei na Folha e na El Temps daqui de Barcelona), mas resumindo é assim: Miguel, que havia emigrado para a Venezuela nos anos 50, foi fazer ninguém sabe-o-quê no Brasil e morreu em circunstâncias suspeitas. Suicídio, na versão policial.

Segunda parte: Miguel foi de 1973, ano da sua morte, há até alguns anos (não lembro agora, mas acho que até os anos 90, quando começaram a remexer no assunto ditadura, através da Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos) um completo desconhecido. Seu corpo nunca foi reclamado, sua família nunca apareceu…

Parte três: há alguns poucos anos, por esforço da Suzana Lisboa, então presidente da Comissão, descobriu-se que havia um espanhol entre os mortos do DOPS. E que ele estaria enterrado em valas comuns no cemitério de Perus, em São Paulo. Era Miguel. Mas, ainda, ninguém sabia NADA da família, um motivo para ser preso pela polícia política ou simplesmente o que é que ele fazia no Brasil.

Parte quatro: por esforço da Comissão e do Rubens (Valente), o caso foi parar na Folha. A mim coube encontrar a família dele aqui e na Venezuela. A Abin e a Polícia Federal tinham tentado e não tinham obtido qualquer pista. Mentira, né? Se eu achei o irmão caçula dele (hoje um simpático velhinho de 80 anos) em 5 minutos na internet e a filha, na Venezuela, em outros 20, só posso concluir que a Abin e a PF nem se deram ao trabalho (por quê?????).

Parte cinco: a família quer saber o que aconteceu (embora já tenhamos uma idéia bastante clara). E o exame de DNA, finalmente concluído (por esforço da procuradora Eugenia Fávero), é o primeiro passo para algum tipo de reparação.

Eu conheci a filha do Miguel, a Mary Carmen, aqui em Barcelona há uns 2 meses. Um doce de côco, fofa, linda. E, lógico, dilacerada por imaginar que seu pai (que ela nem conheceu direito) comeu o pão que o diabo amassou nas mãos dos assassinos que governaram o Brasil durante tanto tempo.

Beijocas.

 

Pensamentos mais-que-perfeitos Setembro 1, 2008

Arquivado em: Ar — Patu Antunes @ 1:24 am
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Já estamos no último dia de agosto. Amanhã começa um “novo ano” aqui. Setembro, começo de ano letivo, quero dizer. Com os 2, 3 anos que vivi enfurnada na faculdade de Belas Artes (um pouco no master e outro poucão trabalhando como bolsista no departamento de relações internacionais), peguei a mania de acreditar mesmo que setembro é começo de uma nova vida. O começo do resto da minha vida, rá!!!!! Às vezes até faço listinha de promessas e desejos, fatos e acasos que peço aos céus cruzem o meu caminho. Pois aqui estamos: 31 de agosto, o começo do resto da minha nova vida, em 2008.

Desde meu último post, pouca coisa aconteceu. Christos Mu está em Chipre (volta, finalmente, na sexta que vem, dia 5). Nos falamos dia sim dia sim. Saudadeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee. Tive uma semana off no trampo da manhã (aliás, acabamos a web-deus-me-livre. Vejam lá: www.siepla.es), fiz alguns dias extras na loja, mandei ver no Sabor e Saber (o festival gastronômico em Minas) e fiz pouco, mas muito pouco mesmo do projeto latino (e isso está me agoniando). Também me dediquei o máximo possível à ginàstica (perdi 1,5 quilo… tsc, tsc, tsc) e curti minha própria companhia aqui no kinder. Estou no meio do livro do meu herói Mr. Murakami (e estou AMANDO) e, tchan, tive dois episódios de sonhos interessantes.

Conto um: sonhei com algo relacionado à meditação. Eu sempre gostei dessas coisas (como todo mundo sabe). Em Brasília até fiz um pouco, mas aqui estava esperando aparecer a oportunidade. Bom, pois um dia há umas 2 semanas sonhei com meditação, não sei bem o quê, mas o fato é que acordei com a vívida de idéia de que talvez fosse legal procurar um povo que estivesse fazendo. Aí fui ler a Folha e vi lá: David Lynch lança livro sobre meditação transcedental no Brasil.

Pára o ônibus: David Lynch com meditação transcedental????? E ainda mais aquela do guru dos Beatles (o Maharishi)???? Pois é, o David Lynch faz meditação transcedental (chamam de “MT”, nada pior) há 35 anos. Bom, fui atrás. Curiosamente, encontrei um livro que comprei um dia num sebo aqui, há uns 6 meses, do Deepak Chopra (que NÃO é um de meus autores preferidos, eu realmente não tenho saco pra auto-ajuda). E acontece que Deepak Chopra foi, nos anos 70, um dos principais assistentes do Maharishi (e deixou de sê-lo pra virar um médico ultra-bem-sucedido e milionário). E neste livro (dá até vergonha de falar o título, vou parecer louca) ele fala um monte da meditação transcedental. Fala bem, lógico.

Para encurtar: resolvi procurar algum povo que seja do grupo do Maharishi, que criou esse método pra ensinar a tal MT. Achei aqui em Barcelona, fui ver. E vou fazer o curso assim que der (espero que em janeiro) porque é carooooooooooooooooo.

Enfim, estou vendo que terei que ganhar na loteria para dar conta dos meus gastos dos próximos meses!!! Afffffffff…..

Bom, domingão, vou ler um pouco e descansar. Hoje peguei uma praiazinha, sol fraaaaaaaaco. Mas foi tão bom… Podia ser verão o ano todo, né? Quem mora na Cuia e tem piscina, é feliz e não sabe.

Beijocas.