Foi comportada minha “festa” de aniversário. Chamo de “bundalelê”, mas é só para vocês esperarem o melhor e já darem uma risadinha. Subterfúgios à parte, ninguém bebeu demais, deu escândalo, subiu na mesa. Nenhum casal se enriçou em uma homérica briga de casal. (Quase) Ninguém saiu sem pagar a conta. Graças a Deus ninguém revelou algum segredo cabeludo (bom, mais ou menos… mas como ainda é segredo, deixa pra lá!). E, principalmente, quase todos os amigos queridos habituais e os queridos que não vejo nunca, apareceram (Eiras e Tati, hummm). Ufa!!!
Devo confessar que passei três quartos do meu inferno astral com tudo em cima. Até chamei de (des)inferno astral. Mas na última semana, na última semana dos 34 anos, sei lá… me sentia estranha. Trinta e cinco , subitamente, pareceu ter um peso tão grande. E eu, em absoluto, me sinto com essa carga nos ombros. Parece um conflito da minha visão histórica (“O que significa ter 35 anos na sociedade?” “Recordar é Viver”) com a minha visão pessoal (“Vou ter que deixar de usar tênis velhos e estampas de florzinha???”), e como resultado me pego, em alguns momentos da última fatídica semana, fazendo todo tipo de crítica feroz a meu respeito:
a) “Com 35 anos você já deveria ter um pé-de-meia!!!!”;
b) “Do jeito que vão as coisas, você nunquinha vai fazer aqueeeeeela viagem”…
c) “Duvido que você tenha colhões de pirar na batatinha outra vez e picar a mula daí – e isso não quer dizer voltar pro Brasil”.
d) “Mudar de profissão? Outra vez?”
e) “Tá na hora de dar um jeito nas varizes, medir a glicose, fazer teste pra Alzheimer”.
f) Etccccccccc…….
E assim levantei no sábado. O dia voou (como sempre). 10h30, 14h, 18h, 20h30. Christos Mu saiu de manhã e voltou às 5 da tarde com meu presente (uma impressora!!!!!!!
). Depois, começou a tocar violão (o violão aqui em casa agora funciona como nos musicais de Hollywood: os personagens estão tendo uma conversa normal e aí de repente um começa a cantar e dançar… uma loucura)… e eu comecei a me… sei lá, irritar? Pensei nos itens a, b, c, d, e, f ao mesmo tempo… E fui pra cozinha começar a fazer os pavês (deixamos a idéia do bolo de lado porque eu NÃO sei fazer bolo e NÃO tenho forno). E Christos Mu no violão. Pensei, meio rabugenta, “Ok, eu faço do meu jeito e nada de ele dar palpite… grrrrrr…..”.
Bom, não foi nada disso. Em algum momento do pavê, ele deixou placidamente o violão do lado e se APOSSOU da cozinha. Como se fosse muito natural. Ai, itens a, b, c, d, e, f na minha cabeça… Por que a existência tem que ser uma coisa esquisita???
No final das contas, saiu uma coisa que não era pavê (aí culpa minha porque substituí nata de montar por leche evaporada – aqui não tem creme de leite, humpf!!!!), mas não ficou malz. Fui me arrumar e me dei conta que o modelito estava todo amarrotado!!!!!!!! Buf. Peguei outro, um pretinho de renda, que usei só uma vez, no réveillon de 2006 (quando fui pra Londres ver a Mariana, a Adriana e a Nô). Modéstia à parte, a fofa aqui estava uma gata.
Aí, eis que não sei como nem por quê, surgiu aquele gênio da chatice no Christos Mu. Os dois, já prontinhos pra sair e o gato tem um dos seus ataques anti-sociais: ele não queria me dizer, mas preferia não ter que arredar o pé de casa. Obviamente essa opção existia. Ou ele vinha ou ficava sozinho em casa. Eu, como já tava até os sesos com os itens a,b,c,d,e,f, disse que ele podia ficar se quisesse… eu não ia me chatear com isso (mentira porque só deus sabe, né?). Ele ficou mais puto ainda – com ele, é lógico – e veio. Com a cara fechada, irritado com o próprio ataque anti-social. Ai, itens a,b,c,d,e,f….
Chegamos no Bar Masia, no coração do Raval, às 22h (uma hora depois do combinado). Já tinha umas 10 pessoas e aí, bom, relaxei… Bati papinho com um, com outro, bebi vinhozinho, bebi cavinha, pavezinho… Meus três CDs de trilha sonora pra noite não tocaram (o CD player do bar era muito velho)… Tudo bem… O gatinho não ficou colado em mim como sempre, mas aos poucos a dureza da cara foi se desfazendo.
Devo confessar que ontem levantei meio P* da cara… Não queria culpar o gato pelo dia não-perfeito, mas, poxa… precisava ter ficado anti-social bem no 27 de setembro? Por fim, às 22h do domingo, começamos a ver um filme: “A Princesa Mononoke”, do Hayao Miyazaki. Dormi felizinha e em conchinha. E hoje levantei linda outra vez.
*** Também recebi msn-mails-sms-delícia: Grazi (chuif, queria ter escutado o telefone!!!), Monica, Ju (eu tava sonhando contigo, acredita?), Nicolau (meu computador travou!!!), Rodrigo, Ma (te quiero te quiero), Carla (linda linda), Babão (te quiero te quiero!!!!!!), Eudes (também amo vc!!!), Jane, Marcia, Adriano, Erika, Leandro, Juju, Vanessa, etc, etc, etc… Milhõõões de beijos!!!!
*** Assisti “Vicky Cristina Barcelona” e amei!!! Escrevi no blog do Globo: www.oglobo.com.br/blogs/barcelona