Audrey não era normal

Patu Antunes em Barcelona

A colher Junho 11, 2008

Arquivado em: Terra — Patu Antunes @ 3:39 am
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Quando eu era pequena tinha uma propaganda que pôs na boca do povo uma emblemática frase – ou “slogan”, no jargão publicitário: em briga de marido e mulher, ninguém mete a colher. Era um comercial na TV que encorajava as pessoas a denunciar casos de violência doméstica. Ou seja, a meter a colher.

Bom, no fim de semana tive uma oportunidade de ouro de meter a dita-cuja. E desperdicei. Não só não me perdoei como quase crucifiquei o cristinho meu de cada dia!!!

Explico: depois de um fim de semana estranhíssimo, com seu Christos de TPM e eu com muitas dúvidas sobre o meu futuro, o futuro do Brasil, do Iraque, do universo ( = enrolação filosófica braba), no domingo, às 2h da manhã, eis que começa uma gritaria daquelas no prédio. Uma mulher chorando, gritando DESESPERADAMENTE, trouxe meu coração para a boca. Pulei da cama, tentando entender o que ela dizia e, lógico, identificar de onde vinha o barraco. Pus as orelhas em pé, agucei os sentidos, procurando por uma pista sonora ou visual. Mas não conseguia entender o que ela dizia. Até que… caiu a ficha!!! Era o casal brasileiro, que vive de amorzinho-pra-lá-e-pra-cá na janela em frente à minha!!!!!!!!! A garota gritava em goianês!!!!!!! E eu não entendia… Bom, minha inépcia durou 1 segundo porque na hora que troquei o chip, entendi tudo: o cara, um cabrón-covarde-imbecil-filho-da-puta (que, se deus quiser, vai ser atropelado por um caminhão e ficar tetraplégico), estava batendo nela!!!!!!!

Nossa, quase tive um treco. Peguei o telefone e quando tentava lembrar o número da polícia, eis que Christos resolve abrir a boca: achava melhor eu não me meter, que a polícia não serve pra nada e blábláblá. Na hora que ele começou a falar, chei que ele estivesse pensando que não seria seguro fazer a denúncia porque o cara ia sacar que fui eu, e numa hora que eu estivesse sozinha, poderia vir me atacar. Mas não, não era essa a idéia do fofo. Pra ele, em briga de marido e mulher, ninguém mete a colher. Pode?

Meu sangue ferveu e aí veio, tristemente, aquela constatação que tenho há tempos: quem é muito libertário, é tão tão pra frente que acaba indo pra frente demais, dá a volta e aí encosta lá nos retrógrados!!!! Começamos a discutir, fiquei nervosa, não lembrava o telefone da polícia e quando me dei conta, o casal tinha parado o barraco (embora a menina continuasse chorando baixinho… não sei se demos bandeira que estávamos com o ouvido colado na janela).

Dormi com um aperto no coração, mágoa e raiva – sobretudo de mim mesma. Se tem algo que me tira do sério é esse tipo de comportamento conivente com a violência contra as mulheres. No dia seguinte, segundona, chefito de volta da China, e eu lá, com umas olheiras horríveis, tendo que me concentrar nessas porras de máquinas de fazer plástico!!! Passei o dia ocupadona, mas com o coração em frangalhos, muito muito muito decepcionada com o gatinho. Achei que era o fim da linha.

Serenidade

E eis que ele me surpreende. Christos Mu tem um amplo espectro de estados emocionais. Tem a capacidade de ir de besta-raivosa-no-sábado-à-noite ao ursinho-coala-prestes-a-levar-um-pé-na-bunda-em-plena-segunda-feira. Quando sacou que eu estava chateada, triste e, principalmente, não queria vê-lo, veio correndo. Em 10 minutos estava na minha frente, com toda a serenidade. À medida que andávamos na noite excessivamente fresca para um junho, fomos conversando. E eu demonstrei minha indignação. Ele, que nem vinha para casa comigo porque ia ficar trabalhando no ateliê, resolveu mudar de rumo. Pensei: isso é instinto. Se ele resolvesse seguir o bom-senso e voltar pro ateliê, que está cheio de trabalho inacabado, era o princípio do fim.

Mas, felizmente, não foi.

Rapidinhas

* Cortei a juba. Não gostei. Ficou quase igual ao da Edith Piaf jovem: um triângulo com pescoço de ema.

* Possibilities de ir ao Brasil em setembro. Mas NADA confirmado.

* Dia 27 Rodrigo e eu vamos pra Milão/Bologna. Emendamos com Estambul, de 1 a 6 de julho. De 11 a 13 de julho, Ceret. E 27 de julho, show do Lou Reed numa vilinha da Costa Brava (perto daqui).

* Acupuntura já tá fazendo milagre: melhorou muito a situação do meu estômago (que eu nem tinha percebido que vive inchado, dolorido e reclamando). Ordem médica: diminuir o máximo possível o açúcar e farinha branca. Tou tentando, tou tentando…

* Monica e Nando vêm, ÊÊÊÊÊ, a Barcelona em outubro.

* Vou estrear, em algumas semanas, um blog sobre Barcelona no Globo Online. Quer dizer, ele já existe. Só vou me somar à Ana Beatriz, que é a responsável até agora. Se virar, aviso.

Beijossssssssssssssssssss……

 

4 Responses to “A colher”

  1. monica Says:

    tá vendo como a vida é linda, patulina?
    quando vc pensa que tudo está perdido por não ter tomado a atitude certa na hora certa (ligar para a polícia), outro ser toma a atitude certa na hora certa (no caso, não ir ao ateliê).
    a vida tem suas compensações. vai entender…

  2. Mazé Says:

    Como diz aquela frase, daquele famoso dramaturgo…”tudo bem quando termina bem”. É isso que importa, a vida é feita de concessões, isso mostrará o quanto estamos dispostos a viver em comunhão com o outro.
    Ah, e por falar em novo corte de cabelo, quero ver fotinhas da nova Edith Piaf….rsrsrs.
    Beijos!!!

    P.S: o encontro de onde foi o que já esperava, sem concessões, apenas um ponto de vista, resumindo – a pedra foi retirada do caminho.

  3. vivi Says:

    Patu,

    Detalhe para o goianês. Você acredita que também nesse finde aconteceu algo parecido com uma amiga de trabalho. Ela ainda não teve coragem de denunciar apesar da minha insistência. Enfim, não é fácil. Tenho vontade de estragular figurinhas assim. Covardes, espancadores de mulheres…
    Enfim, o lance é que a gente não pode resolver o problema por elas. No máximo aconselhar, conversar e dar uma força.
    Amiga, adoro saber notícias suas.
    Um beijo…um dia eu chego aí :-)

  4. Nadja Says:

    Por aqui também acontece muita briga de marido e mulher…
    A gente, às vezes, tem que meter a colher com força. Nem sempre dá certo, mas esses dias foi bom, uma mãe que estava sendo ameaçada de morte pelo ex-marido foi encorajada por uma colega a denunciar ele.
    Agora ele tá atrás das grades e ela e as filhas, por enquanto, estão seguras…
    A gente tem medo que ele saia de lá com mais raiva e faça alguma merda, mas a gente acha que ele vai é ficar mais comportado depois dessa…
    Patu, quanto ao Christos… Façam o favor de ficar bem… Eu, intrometidamente, me sinto madrinha do relacionamento, não me decepcionem!! rsrsrsrs


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