Saía hoje do trampo rumo ao super. Carrefour das Ramblas, o maior formigueiro de Barcelona. Quinhentos mil turistas, treintañeros solteiros, indigentes-quase, ladrõezinhos e etc lotam esse que é um dos pouquíssimos supers grandes da cidade. Eu DETESTO supermercados e, seguindo a lógica dessa informação, eu obviamente DETESTO ir ao Carrefour. É verdade, eu não gosto mesmo. Mas quando não se tem opção – nem money ou tempo sobrando -, é preciso encarar. E lá vinha eu, nesse mood, rumo ao matadouro. E foi ali, sem mais nem porquê, saindo da rua Ferran e entrando na Rambla, toda embolada no meu cachecol verde crochezado em casa, que a verdade me estapeou: tenho 34 anos, e não 33 como, juro, eu acreditava!!!!!!
Meu coração enegreceu. Não pela “idade”, por estar envelhecendo (como todo mundo que está vivo ou morto), pelas ruguinhas que insistem em habitar meus olhos desde o ano passado. Não sei por quê, alguma coisa se apertou aqui dentro. Será que vou morrer? Algum dia destes? Em caso negativo, conseguirei fazer meu pé-de-meia? E em caso mais negativo ainda, farei aquela viagem tão sonhada?
Na dúvida, liguei pro amor-mu. E, por motivos éticos, tinha que dizer-lhe que levamos 6 anos de diferença – e não 5. Ele, lógico, riu da minha “informação”. Depois disse pra eu não me preocupar com a idade, que sou linda e sempre serei (ele é um fofo mesmo, mas eu tive que dizer que já sei disso e não estou preocupada com a “idade”). E, por fim, perguntou: o que é que há?
- Não sei… só que tenho 34 e não 33!!!!
- E que importância tem isso?
- Não consigo avaliar, mas parece que eu estava cometendo uma fraude contra mim mesma…
Aí ele disse pra eu não inventar mais uma pra me pressionar, não preciso de mais pressão do que já tenho. (Bola dentro, claro!).
E então o inesperado – e NADA calculado – acontecimento: “Eu tinha prometido a mim mesma ir pra Ásia antes dos 35″ (Japão, Índia e Tailândia). Ele: “Patua mu, lindatsa mu [o amor, o amor], trabalhAMOS, ganhAMOS dinheiro e VAMOS fazer umas viagens interessantes…”.
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Beijos.