Antes de nada: as férias de Páscoa em Ceret (a “Catalunha francesa”, pirineus orientais), na casa da Jane, foram MARAVILHOSAS. Uma delícia estar num vilarejo fofo, com pessoas queridas, comendo divinamente, etc. etc. Cada dia tivemos uma programação diferente: subimos a montanha, fomos passar um dia em Collioure (uma cidadezinha da chamada “Côte Rouge”, retratada em vários quadros de Matisse e Monet), vimos uma expo linda de cerâmica, desenhos e alguns quadros de Chagall (Ceret tem um museu de arte moderna bacana; ao lado da casa da Jane, aliás, morou Picasso nos idos de 1910). E, lógica e felizmente, amor saindo pelos ouvidos. Forças opostas e igualmente atuantes: princípio do tai-chi e, por que não?, dessa história que estou tendo a felicidade de experimentar.
De volta à realidade, me encontrei com o job novo. Esta semana assumi meu posto, meio com o coração doendo, mas tentando apaziguar essa sensação de que estou me atando novamente a um sistema que já sei que não funciona (pelo menos, para mim): trabalho pra uma empresa, ganho meu salário e vou deixando o que realmente me interessa pra trás. O resultado foi um cansaço terrível. De terça (quando comecei) a quinta, quando tive que combinar os dois trampos, foram 9 horas de trabalho por dia. Buf. Cheguei em casa e quem disse que consegui decupar as entrevistas que ainda estão no meu gravador? Mal e mal fiz algumas coisinhas, mas com energia baixíssima. Ok, quando estou frilando, muitas vezes tenho semanas bastante ocupadas, de 10, 12 horas no computador realmente trabalhando. Mas, na maior parte do meu tempo como free-lance, consigo fazer 500 coisas no computador – inclusive falar com os amigos, atualizar o blog. Agora, não rola. Minhas cinco horas de trampo são realmente de trampo. E na loja, embora seja muito tranquilo, não dá para sentar e escrever, traduzir ou averiguar informações. Além do que, fiquei realmente sem tempo pra limpar a casa, ir ao super, ao tai-chi, pôr máquina de lavar, ir ao cine, a uma livraria, ler, tranquila e despreocupadamente… Este é um desses momentos em que eu gostaria de lembrar “que, ai, esqueci que sou milionária. E vou sumir no mundo. Tchau.”
Além do que, nesse job novo, estou concluindo que vou precisar pôr elástico no meu cérebro. Pra caber tanta informação nova. Não estou exagerando. É vasto o mundo das máquinas industriais. Por que a humanidade tinha que “evoluir” tanto????? Droga.
Bom, são 2 da tarde de sábado, não fiz nada (a não ser ficar enrolando na cama com o fofo). E às 4 vou encontrar o Chispón pro projeto. Estamos começando agora o livro.
Beeeeeeeeeijos……
Eh Pazinha, engraçado como parece que certas coisas já não se encaixam mais como antigamente….não é mesmo?
Beijos!