Audrey não era normal

Patu Antunes em Barcelona

Dá até vontade de se apaixonar… Outubro 29, 2007

Arquivado em: Fogo — Patu Antunes @ 9:24 pm

Ontem vi o documentário sobre o Vinicius de Moraes. Uma formosura. Adorei. Levei várias amigas. E elas também adoraram. Claro que não concordaram com a “preferência” viniciuana: melhor ter um amor ruim do que ficar sozinho. Mas tampouco discordaram muito: depois de ver o filme concluímos que dá até vontade de se apaixonar. ………….. Pero………. é só um filme!!!!! A realidade não é o Rio de Janeiro dos anos 50, 60 ou 70. A realidade é gris. É??? É.

É verdade que me aborreço com essa história de que o-mundo-é-feio-e-mau, mas me aborreço mais comigo por me aborrecer com isso do que propriamente com o aborrecimento que o-mundo-feio-e-mau causa. É. Chega de aborrecimento. Chega de gris.

Massssssssss… é tão bom estar sozinho, zinho, num cantinho em que não te encham o saco. Acho que, num momento legal, me conformei que as pessoas são um saco, uma chatice a que estamos obrigados. É lógico que a chata devo ser eu (embora muita gente nem perceba). A ingenuidade acabou, c’est fini.

Será que dá pra se apaixonar mesmo assim? (Pretendente novo no pedaço… fofo, mas não me animo. Sou uma idiota). Tchau.

 

Máquinas que sofrem (e nos fazem sofrer) Outubro 21, 2007

Arquivado em: Fogo — Patu Antunes @ 3:51 am

Não bastasse as pessoas estarem cada vez mais neuróticas, agora temos que lidar com máquinas idem. Vai ver que o ser humano é uma influência negativa até para aparelhos sem vida, quem sabe? Que os donos influenciam seus cães a tal ponto de ambos se siombiotizarem de um modo que, literalmente, a cara de um vira o focinho do outro, está mais que percebido e experimentado na vida moderna. Mas que a “psique” humana seja capaz de levar à loucura até as máquinas… Bom, comigo foi assim.

Ontem resolvi que ia finalmente instalar a impressora nova, comprada há quase um mês. E no momento que enfiei o CD de instalação, pronto, minha mente distorcida resolveu me atormentar através do computador – que decidiu não apenas não instalar o negócio direito, como também resolveu parar de funcionar. E simular a própria morte.

Não preciso dizer que meu computador suicidado quase conseguiu fazer aflorar meus instintos homicidas. Gradativamente fui da chateação ao ódio. No caminho passei pela raiva e o rancor. Depois quis chorar. E finalmente resolvi sair de casa, mandando tudo à puta que pariu.

Quando voltei, já à noite, lá estava ele. Morto. Mas, graças ao Dalai Lama (e sua infinita lição de não-violência), consegui reanimá-lo o suficiente para ser desligado. Meia hora gastei nessa operação de terapia intensiva. Aí liguei pra Iéri, que apesar de lucy-in-the-sky-total, conseguiu arrancar de seu amigo expert nessas máquinas mimadas, um conselho muito útil: ligue o computador de novo e antes que apareça qualquer coisa coloque seu dedo na F8 e não o tire mais dali.

Respeirei fundo, recitei um mantra pedindo sabedoria aos PCs levianos, aproveitei para desejar que a Microsoft vá pro inferno… e iniciei a viagem. Power-F8-F8-F8-F8-F8. Intermináveis segundos de F8… E aos poucos foram surgindo meus velhos ícones de tela.

Oh, meu filhinho reviveu. Estava já vendo a luz branca no fim do túnel, tocando o além, mas decidiu voltar pra mamãe (mal sabe que vai levar umas palmadas logo, logo). Freud, óbvio, não explica.

Minhas antenas não são de barata

Apesar de ter encontrado o sonho da casa própria (e ter finalmente me convencido que não é normal ser retardado mental aos 30), continuo com a antena quebrada. Sábado passado saí com as amigas e entre duas possibilidades interessantes, optei pelo: artista, charmoso, misterioso… pessimista, poser, loser e COM namorada. Ok, ok. Só não fiquei com mais raiva de mim porque, ainda que os hormônios me maltratassem, fiz o que deveria: tchau. (Ah, e qual era a segunda opção? Um tipo normal, sem mistérios mas também sem a aura do fracasso, e que, pelo jeito, beija bem porque uma amiga fez o test-drive).

Notícias do túmulo

O departamento que decide que estrangeiros podem ou não ficar neste solo mandou uma carta: temos que apresentar mais dois documentos em 10 dias para poder continuar os trâmites do novo visto. Um é da loja e já tenho. O outro é meu, e não tenho. Vou dar um jeito nisso. De tudo, fica o alívio. É que um dos documentos que apresentamos, na real, estava vencido em 2 dias. Fizeram vista grossa, oh yes!

Sonho em uma noite de inverno… O frio já chegou. E eu comecei meu último Murakami em castelhano (em português também já acabei). Mudo pro inglês ou mudo de autor? Que delícia ter uma dúvida cruel assim!!!! Beijos.

 

O sonho da casa própria Outubro 12, 2007

Arquivado em: Terra — Patu Antunes @ 6:14 pm

O sonho da casa própria tem 30 anos, traços exóticos e clareza de pensamento. Também tem um superjob interessante, ainda que numa multinacional. Mora em Londres, mas passou apenas um dia em casa em todo o mês passado. O resto do tempo, ele viaja, viaja, viaja – sempre a trabalho. Trabalhar exageradamente, sempre colado ao blackberry, não me atrai em especial. Primeiro porque significa falta de dedicação à vida pessoal. Segundo porque, provavelmente, quer dizer falta de cuidado consigo mesmo – e uma pança proeminente.

Entretanto, apesar viver em aviões e hotéis, rodeado de gente que só se veste de preto – e que ainda assim consegue pisar na jaca no quesito estilo -, meu sonho da casa própria consegue manter a elegância e o tanquinho!! Pança, aliás, tenho eu, que tento não trabalhar exageradamente e que, sinceramente, estou pensando em abandonar a vida laboral quando ganhar na loteria. Trabalho não enobrece ninguém.

Mas permite um apê bem situado em Londres, sem o inconveniente dos flatmates, e com uma TV gigante em altíssima definição que grava os CSIs perdidos. É ou não é o sonho da casa própria???

E assim estou, divagando sobre a última quarta-feira, quando pude entrevistar o sonho da casa própria. Concluí que é preciso deixar os preconceitos de lado – sempre que preservando premissas básicas, é claro. E a primeira delas é: CHEGA de retardados mentais. Clareza de pensamento é fundamental.
Quero ficar ricaaaaa – Mais um começo de mês com os euros contadinhos. Como sempre, há verdinhas a receber – mas nem todas entram ao mesmo tempo. E enquanto isso, tenho que fazer malabarismos para pagar as contas e poder sair, ver os amigos, ir ao cine… Tsc, tsc, tsc.

Adiós hermanos – Sexta passada saí e melequei geral. Era para ser um jantar de aniversário e virou bebança & boate. No meio das tantas, sem saber direito o que estava fazendo, me enrosquei com um argentino. Gato, mas como diz a Silvana, deve ser jogador de rúgbi. E esses, dizem lá na terra deles, são notórios por NÃO sabem usar os instrumentos. Tsc, tsc, tsc. “Nunca mais pegarei um argentino de novo”, já dizia a Scarlett O’Hara.

Bye.

 

Sister, you’ve been on my mind (ou réquiem de não-sei-o-quê) Outubro 2, 2007

Arquivado em: Espaço — Patu Antunes @ 3:57 pm

Sister,
you’ve been on my mind
Sister, we’re two of a kind
So sister,
I’m keepin’ my eyes on you
I betcha think
I don’t know nothin’
But singin’ the blues
Oh sister, have I got news for you
I’m somethin’
I hope you think
that you’re somethin’ too

Oh, Scufflin’,
I been up that lonesome road
And I seen a lot of suns goin’ down
Oh, but trust me
No low life’s gonna run me around

So let me tell you somethin’ sister
Remember your name
No twister,
gonna steal your stuff away
My sister
Sho’ ain’t got a whole lot of time
So shake your shimmy,
Sister
‘Cause honey this ’shug
is feelin’ fine.

 

Bolsa vazia é atraso mental Outubro 1, 2007

Arquivado em: Terra — Patu Antunes @ 1:57 am

Não gosto de ofender as pessoas. Não mesmo. Às vezes até ofendo a mim mesma para não ter que ofender alguém. Muitas vezes já fiquei constrangida pelo fracasso e inépcia dos outros – e aí assumi para mim esse fracasso. Para aliviar o peso alheio. Mas hoje não farei isso. E assim digo: chega de retardados mentais!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Fui ao cinema com o Beck, depois de não querer vê-lo pela frente. Considerando que o fato de não querer vê-lo talvez fosse fruto da minha aversão às pessoas, da minha falta de compreensão e do meu, sei lá, imenso egoísmo (?), me convenci de que deveria dar uma chance. Quem sabe o fuck-fuck não seria nota 9 dessa vez? E lá fui, ver “Mataharis”, ótimo filme de Iciar Bollaín.

Gente, eu juro: ele sofre de “atraso” nos neurônios. Não tem nem tico-e-teco. Só pode ser. Como é que alguém, considerando que vai dormir na minha casa e tendo em vista que amanhã cedo tem uma entrevista de trabalho, vai por aí com uma bolsa… vazia??? Por que alguém sai na rua com uma bolsa VAZIA???????? Alguém pode me explicar? Ele, sim. Ele vai com a bolsa vazia para uma entrevista de trabalho porque é necessário parecer que leva coisas “importantes” na bolsa. Dãããã…… Eu não tenho paciência, so sorry!

E assim acabou, graças a deus, essa história sem pé nem cabeça. Fiquei com pena do rapaz. Perdido, sozinho… Foda. Mas aí penso que não vou ficar com alguém porque tenho pena. Era só o que faltava. Que as pessoas se sintam perdidas e fracassadas, entendo. Solidariedade é legal – e faz falta. Mas não tem nada a ver com cama. E cama não tem nada a ver com atraso mental. Pelo menos, pra mim, não.

Tchau.