Não bastasse as pessoas estarem cada vez mais neuróticas, agora temos que lidar com máquinas idem. Vai ver que o ser humano é uma influência negativa até para aparelhos sem vida, quem sabe? Que os donos influenciam seus cães a tal ponto de ambos se siombiotizarem de um modo que, literalmente, a cara de um vira o focinho do outro, está mais que percebido e experimentado na vida moderna. Mas que a “psique” humana seja capaz de levar à loucura até as máquinas… Bom, comigo foi assim.
Ontem resolvi que ia finalmente instalar a impressora nova, comprada há quase um mês. E no momento que enfiei o CD de instalação, pronto, minha mente distorcida resolveu me atormentar através do computador – que decidiu não apenas não instalar o negócio direito, como também resolveu parar de funcionar. E simular a própria morte.
Não preciso dizer que meu computador suicidado quase conseguiu fazer aflorar meus instintos homicidas. Gradativamente fui da chateação ao ódio. No caminho passei pela raiva e o rancor. Depois quis chorar. E finalmente resolvi sair de casa, mandando tudo à puta que pariu.
Quando voltei, já à noite, lá estava ele. Morto. Mas, graças ao Dalai Lama (e sua infinita lição de não-violência), consegui reanimá-lo o suficiente para ser desligado. Meia hora gastei nessa operação de terapia intensiva. Aí liguei pra Iéri, que apesar de lucy-in-the-sky-total, conseguiu arrancar de seu amigo expert nessas máquinas mimadas, um conselho muito útil: ligue o computador de novo e antes que apareça qualquer coisa coloque seu dedo na F8 e não o tire mais dali.
Respeirei fundo, recitei um mantra pedindo sabedoria aos PCs levianos, aproveitei para desejar que a Microsoft vá pro inferno… e iniciei a viagem. Power-F8-F8-F8-F8-F8. Intermináveis segundos de F8… E aos poucos foram surgindo meus velhos ícones de tela.
Oh, meu filhinho reviveu. Estava já vendo a luz branca no fim do túnel, tocando o além, mas decidiu voltar pra mamãe (mal sabe que vai levar umas palmadas logo, logo). Freud, óbvio, não explica.
Minhas antenas não são de barata
Apesar de ter encontrado o sonho da casa própria (e ter finalmente me convencido que não é normal ser retardado mental aos 30), continuo com a antena quebrada. Sábado passado saí com as amigas e entre duas possibilidades interessantes, optei pelo: artista, charmoso, misterioso… pessimista, poser, loser e COM namorada. Ok, ok. Só não fiquei com mais raiva de mim porque, ainda que os hormônios me maltratassem, fiz o que deveria: tchau. (Ah, e qual era a segunda opção? Um tipo normal, sem mistérios mas também sem a aura do fracasso, e que, pelo jeito, beija bem porque uma amiga fez o test-drive).
Notícias do túmulo
O departamento que decide que estrangeiros podem ou não ficar neste solo mandou uma carta: temos que apresentar mais dois documentos em 10 dias para poder continuar os trâmites do novo visto. Um é da loja e já tenho. O outro é meu, e não tenho. Vou dar um jeito nisso. De tudo, fica o alívio. É que um dos documentos que apresentamos, na real, estava vencido em 2 dias. Fizeram vista grossa, oh yes!
Sonho em uma noite de inverno… O frio já chegou. E eu comecei meu último Murakami em castelhano (em português também já acabei). Mudo pro inglês ou mudo de autor? Que delícia ter uma dúvida cruel assim!!!! Beijos.