Dias inusitados esses. Estou preparando outra matéria, uma que estou gostando muito de fazer, dessas que dá gosto. Vai sair no La Nación (Argentina) e é sobre um artista no mínimo original. Já ouviram falar de alguém que usa o silêncio como arte? Não os “silêncios” de obras teatrais, de música ou cinema, mas o silêncio PURO. Pois é, um “ativista do silêncio”, digamos, embora eu ache esse nome sem-graça. Quando sair, coloco no “Por estas linhas tortas”.
O homem do silêncio é um daqueles artistas que dá vontade chamar “artista” e não considerar isso um xingamento. Como em Barcelona todo mundo é artista, designer, arquiteto, cineasta ou fotógrafo, estou de saco cheio de tipos e tipas pretensiosos e faltos de talento. Mas este não é assim. É um artista verdadeiro e, muito importante, vital.
Paramos. E mudamos de cena.
Há quase um mês conheci um carinha quase sósia do Beck (pelo menos eu achava). Foi na véspera de ele ir com a família de férias para a Síria. Ele foi e voltou, e deu notícias. Fomos à praia semana passada e no dia seguinte fui à sua casa. Fuck-fuck nota 8. Me ligou ontem de novo. Combinamos de nos ligarmos porque estou enrolada agora. Tudo lindo? Bom, como a história é comigo É LÓGICO que tem que haver confusão e algo não se encaixa. Primeiro porque o gatinho acaba de sair de uma relação meganeurótica de 4 anos. Segundo porque o gatinho é fofo, mas parece uma criança (30 anos). Terceiro porque o gatinho é duro de marré-marré, mora num apê HORRÍVEL e está a ponto de ficar sem casa, coitado. Quarto porque o pai mora na Bélgica com uma mulher insuportável e a mãe está em Granada – e ele não sabe nem o telefone dela. Quinto e finalmente: ele precisou deixar claro desde o começo que, vocês sabem, né?, não está em condições emocionais de ter algo “sério” agora.
Em outros tempos, eu pegava minhas roupas e ia embora, sem nunca mais dar nem receber notícia. Mas desta vez, fiquei, dormi mal e levantei com olheiras de 5 quilos – o que foi suficiente pra não querer deixar por isso mesmo. No dia seguinte mandei uma mensagem dizendo, sinceramente, que eu não estou com a mínima paciência pra um neurótico indisponível. Quero curtir, mas tem que estar contente por estar comigo. Se ele vai ficar me dizendo que está malz e que o nosso não vai durar nem pros fucks, então pode me esquecer. Funcionou. E quando ele ligou, eu disse que nunca mais fale dessas coisas comigo na cama. Cama é cama. Se for pra discutir chatice, vamos tomar um café.
Paramos. E vamos a um pueblo na montanha pertinho da França.
Festival de arte contemporânea em um vilarejo medieval de 700 habitantes. Lindo o lugar, mas insuportável para mim. Me pegava pensando como é que eu viveria ali… Não poderia. Ainda não posso. Mas como estava seguindo o artista, que fazia uma de suas apresentações – no caso, apagar e silenciar toda a vila -, curti. A parte ruim foi me enfiar num saco de dormir em um alojamento cretino. Não, não estou mais para isso. Da próxima vez rapelo minha conta, mas fico num lugar decente. Não vale o perrengue.
E???????
Silêncio. Sem medo. É uma benção.
Caótica Ana – É o novo filme de Julio Medem, de “Lucía y el sexo” e “Los amantes del círculo polar”. Estranho não sei por quê. Difícil de tragar. Não posso dizer se bom ou ruim. Mas tenho pensado nele o dia todo. Mulheres, vejam. Vejam. Vejam.