Audrey não era normal

Patu Antunes em Barcelona

Silêncio, garoto Beck, um pueblo na montanha, um artista original e um saco de dormir – nessa ordem Agosto 29, 2007

Arquivado em: Terra — Patu Antunes @ 3:20 am

Dias inusitados esses. Estou preparando outra matéria, uma que estou gostando muito de fazer, dessas que dá gosto. Vai sair no La Nación (Argentina) e é sobre um artista no mínimo original. Já ouviram falar de alguém que usa o silêncio como arte? Não os “silêncios” de obras teatrais, de música ou cinema, mas o silêncio PURO. Pois é, um “ativista do silêncio”, digamos, embora eu ache esse nome sem-graça. Quando sair, coloco no “Por estas linhas tortas”.

O homem do silêncio é um daqueles artistas que dá vontade chamar “artista” e não considerar isso um xingamento. Como em Barcelona todo mundo é artista, designer, arquiteto, cineasta ou fotógrafo, estou de saco cheio de tipos e tipas pretensiosos e faltos de talento. Mas este não é assim. É um artista verdadeiro e, muito importante, vital.

Paramos. E mudamos de cena.

Há quase um mês conheci um carinha quase sósia do Beck (pelo menos eu achava). Foi na véspera de ele ir com a família de férias para a Síria. Ele foi e voltou, e deu notícias. Fomos à praia semana passada e no dia seguinte fui à sua casa. Fuck-fuck nota 8. Me ligou ontem de novo. Combinamos de nos ligarmos porque estou enrolada agora. Tudo lindo? Bom, como a história é comigo É LÓGICO que tem que haver confusão e algo não se encaixa. Primeiro porque o gatinho acaba de sair de uma relação meganeurótica de 4 anos. Segundo porque o gatinho é fofo, mas parece uma criança (30 anos). Terceiro porque o gatinho é duro de marré-marré, mora num apê HORRÍVEL e está a ponto de ficar sem casa, coitado. Quarto porque o pai mora na Bélgica com uma mulher insuportável e a mãe está em Granada – e ele não sabe nem o telefone dela. Quinto e finalmente: ele precisou deixar claro desde o começo que, vocês sabem, né?, não está em condições emocionais de ter algo “sério” agora.

Em outros tempos, eu pegava minhas roupas e ia embora, sem nunca mais dar nem receber notícia. Mas desta vez, fiquei, dormi mal e levantei com olheiras de 5 quilos – o que foi suficiente pra não querer deixar por isso mesmo. No dia seguinte mandei uma mensagem dizendo, sinceramente, que eu não estou com a mínima paciência pra um neurótico indisponível. Quero curtir, mas tem que estar contente por estar comigo. Se ele vai ficar me dizendo que está malz e que o nosso não vai durar nem pros fucks, então pode me esquecer. Funcionou. E quando ele ligou, eu disse que nunca mais fale dessas coisas comigo na cama. Cama é cama. Se for pra discutir chatice, vamos tomar um café.

Paramos. E vamos a um pueblo na montanha pertinho da França.

Festival de arte contemporânea em um vilarejo medieval de 700 habitantes. Lindo o lugar, mas insuportável para mim. Me pegava pensando como é que eu viveria ali… Não poderia. Ainda não posso. Mas como estava seguindo o artista, que fazia uma de suas apresentações – no caso, apagar e silenciar toda a vila -, curti. A parte ruim foi me enfiar num saco de dormir em um alojamento cretino. Não, não estou mais para isso. Da próxima vez rapelo minha conta, mas fico num lugar decente. Não vale o perrengue.

E???????

Silêncio. Sem medo. É uma benção.

Caótica Ana – É o novo filme de Julio Medem, de “Lucía y el sexo” e “Los amantes del círculo polar”. Estranho não sei por quê. Difícil de tragar. Não posso dizer se bom ou ruim. Mas tenho pensado nele o dia todo. Mulheres, vejam. Vejam. Vejam.

 

Não matem as formigas!!!! Agosto 14, 2007

Arquivado em: Água — Patu Antunes @ 5:27 pm

Noite passada recebi uma inusitada visita. Estava já preparando meu computador pra tentar ver, pela milionésima vez, “O Segredo” (a estética é péssima e a mensagem pura PNL… eu não aguento e sempre durmo antes do minuto 30), quando fui fechar a porta que dá ao balcão. E eis que surgiu a “coisa”. Uns quatro centímetros de massa cinza com pêlos em cima, arrastando-se pelo chão (imundo) do meu quarto. Pequeno demais para um rato, não é? É, não era um rato, lastimavelmente. Porque os ratos, sabem, têm alguma “dignidade”. E também costumam emprestar alguma “humanidade” perdida aos homens – homens mesmo, e não raça humana. Muitos ratos são mais homens que seus colegas bípedes. Intrépidos, de sujeira em sujeira, assumem que são isso… ratos. Já os homens… hummmm… (acabo de ver um filme de Truffaut sobre um homem covarde e estou impressionada, perdão).

Pois no meu quarto, à meia-noite, não era um rato que tentava “adentrar” o leito. Infelizmente era uma coisa que não me desperta muitas emoções – uma lagarta. Não gritei, não chorei, não pulei na cama, não saltei do balcão rumo a uma perna quebrada. Só peguei meu chinelo, primeiro pensando em expulsá-la de volta ao balcão. Somos “uno” com a natureza, não é? Nem as formigas merecem ser assassinadas, dizia aquele filme sobre o Dalai Lama jovem (e o Brad Pitt gatíssimo como sempre).

Mas então me virei e vi. A pobre muda de bougainville que a Tati tenta fazer viver há três anos, e não consegue. Está ali, toda despedaçada, carcomida, deprimida certamente. Por culpa de quê? De lagartas sedentas em devorar folhas de bougainvilles. Ok, é a natureza das lagartas. Mas, se eu posso ignorar minha natureza para viver em sociedade, por que tenho que preservar a natureza da lagarta em sociedade??? Taquei-lhe o chinelo e plás!!!!

Poderia dizer que fiquei satisfeita. Fiquei, sim. Mas não 100%. Eu não sabia que lagartas eram asquerosamente verdes por dentro. VERDES como o alien, do “Oitavo Passageiro”. Agora tenho uma mancha verde nojenta no chão, de uma lagarta cretina que entrou no meu quarto ao invés de devorar o bougainville e picar a mula! Tinha que sair pelo meu lado? Tinha?

Tchau.

 

Bugs são feios e nojentos (mas não são loucos) Agosto 11, 2007

Arquivado em: Ar — Patu Antunes @ 1:47 pm

Hoje levantei cheia de energia. Depois de duas noites de insônia cretina, dormi com os anjos. Nada de alucinações bobas (conto abaixo) e medos idiotas (como inséquitos repugnantes, por exemplo). Deitei, querendo ver um filminho na cama, mas acabei apagando. E aí que quando o sol beijava minha janela, abri uns olhos que nem pareciam os meus.

Finalmente consegui baixar “O Segredo”, aquele filme que todo mundo já viu mas ninguém tem o CD pra me emprestar. Mil e quinhentas tentativas depois, funcionou!!! Instalei um media player que se chama VLC, é desses abertos que vão bem com tudo. Eu já estava putíssima da cara quando a Iéri me deu a dica.

Entao, fui pra cama, mas 20 minutos depois… zzzzzzzz….. Satisfeita pelo cansaço ser mais intenso que a ansiedade – o que significa que meu corpo está, ainda, obedecendo a alguma lógica lógica -, desliguei.

A sanha alucinatória – Como é sabido, a noite influencia profundamente o estado psíquico dos pobres mortais. No meu caso, influencia das maneiras mais esquisitas. Há anos tenho uns “sonhos” estranhos, estranhíssimos, que são verdadeiras alucinações. Já passei vergonha por causa deles (e quase tive alguns infartos). Pois eis que ontem, entre dormir e ver o filme, naquele estado que dizem intermediário entre sonho e realidade, ali, na moleza corporal e cerebral… tcharan! Um bicho chega voando não sei de onde e vem, claaaaaro, direto para minha cama!! Mas, surpresa! Em uma manobra digna da ocasião, ele não pousa. Simplesmente pára no ar e aí vejo o que é: uma aranha. Que, obviamente, fica de ponta-cabeça, solta seu fio pelo “popô” e vai para o céu. Desaparecendo tal como surgiu. Antes de mais nada, preciso dizer que fiquei perplexa, com minha dupla neuronal tentando entender o que poderia haver de “errado” naquela cena. Uns quantos minutos depois, acendi a luz para me certificar de que aquele bicho não estava ali. Não, não estava. A janela? Fechada como sempre. Aranha + voar = delírio patônico.

Tchau.

 

Ah, é só stress! Então tá… Agosto 5, 2007

Arquivado em: Terra — Patu Antunes @ 1:18 am

No meio desta semana, preocupada com a possibilidade de que minhas dores de cabeça, no coração e otras cositas más pudessem ser sinal de um ataque avassalador de ansiedade, escrevi pra Fátima, minha ex-médica homeopata, em Brasília. A Fátima é um anjo, anjo, anjo. Maravilhosa mesmo. Descrevi todos meus sintomas, contei como anda minha alimentação (muito bem, obrigada; vou firme nas verdurinhas e cada vez como menos açúcar) e veio um possível diagnóstico: crise de stress. Motivada por sentimentos de RAIVA e FRUSTRAÇÃO. A Fátima sabe mesmo das coisas.

Bom, ela me passou um remedinho pra equilibrar a energia do fígado (o órgão desses sentimentos feios) e me recomendou o que eu sempre estou dizendo que vou fazer, vou fazer e nunca faço: ioga, tai-chi ou meditação.

Obviamente é só psicológico, masssssss… as palavras da Fátima conseguiram me tranquilizar!!! De alguém não começar com aquela lenga-lenga de “você tem que fazer isso e aquilo” ou me falar como se eu fosse a única do planeta que sofresse dessas coisas, já achei ótimo. E resolvi que vou seguir o conselho dela, além de acrescentar outros por minha conta. Exemplo: aproveitar mais e melhor agosto, já que tenho menos trabalho. Procurar mesmo um lugar decente de ioga ou tai-chi e tentar fazer mais exercício (estou andando de um lugar pro outro de bicicleta, mas é muito pouco; preciso suar).

No mais… vou morrer em 300 euros com a nova advogada pra tramitar meu novo visto; Vamos entrar com o novo pedido só em setembro porque agosto é como carnaval no Brasil (t-o-d-o mundo some, e também os do governo); Conheci um carinha que é a cara do Beck!!!!! Mas ele saiu de férias… humpf!!!!

Tchau.

 

A cabeça! Que vontade de levá-la à mão… Agosto 2, 2007

Arquivado em: Ar — Patu Antunes @ 3:19 am

Juro que foi assim: minha cabeça doía tanto que eu achava que era meu último dia sobre a Terra. Não, não sou hipocondríaca. É verdade, não sou mesmo. Para tomar aspirina, tenho que sofrer bastante antes e me besuntar de bálsamo de tigre. Mas às vezes eu acho que vou morrer logo. Só que entre achar que vou “abotoar” logo – logo, conceito abstrato e difuso, altamente dependente da subjetividade de um ser humano – e agora mesmo tem muita diferença. Pois o que nunca tinha me acontecido era achar que daquela noite eu não passava. Aquela noite foi segunda-feira, 48 horas atrás.

Minha cabeça começou a querer pular fora do meu pescoço já no sábado, no meio do trampo. Vim para casa, sem a menor disposição de enfrentar, digo, encontrar essas coisas ultimamente odiosas para mim (= pessoas). Fui para minha caminha, que é o melhor lugar do mundo. Se ela estivesse no meio da areia de uma praia linda, seria um orgasmo triplo… Mas a vida é dura e minha cama está, como sempre, no meu quarto de frente pra uma ruela de Gràcia (não que eu não goste de Gràcia, eu adoro, que fique claro!) e ao invés de dormir com a brisa suave e a canção marinha, fecho os olhos e escuto a gritaria dos bêbados infelizes… de brisa, nem a do ventilador. A janela permanece hermeticamente fechada e eu hermeticamente suo. Mas durmo e é o que importa.

Pois, como eu ia dizendo, desmaiei no sábado para acordar desejosa de praia. E pra lá eu fui, encontrar as amigas. Cinco horas de sol, banho de mar, protetor, banho de chuveiro, banho de mar, solzinho de fim de tarde. Quando parecia que tudo estava sob controle e eu não ia perder minha cabeça assim, sem explicação que justificasse o absurdo, eis que ela volta. Dormi no domingo com os olhos lacrimejando de tanto bálsamo… pra não adiantar nada! A segunda-feira foi o dia da provação.

Acontece que esse era o meu deadline pra entregar uma matéria grandinha. E eu sem conseguir olhar o computador. Aliás, sem conseguir olhar nada. Eu precisava era ficar na sombra da minha cama, da praia, da montanha, de qualquer lugar! Desde que fosse fresco… Mas não, existe essa escravidão chamada trabalho, essa pieguice chamada responsabilidade, essa miséria chamada aluguel. E assim, entre dores lancinantes e aspirinas vacilantes, acabei meu texto. À meia-noite.

Na hora que deitei, os momentos mais importantes da minha vida passaram pela minha mente. Achei que fosse a senha pra morte. Claro, esse é o clichê, né? Vou morrer e tenho tempo de fazer as contas dos crimes e pecados… Felizmente desisti de fazer qualquer conta e só me preocupei em estar com uma calcinha bonita. Já pensou se os bombeiros chegam e estou com uma furada e sem elástico???? De jeito nenhum!!! E também aproveitei pra passar o creme de limpeza do rosto e o dos olhos, que é novo e mal estreei.

Mas, subitamente, tudo me pareceu uma bobagem extrema e me dei conta que estava morrendo de sono… morrendo… Quantas vezes eu falo isso por dia e agora é de fato o momento adequado para a palavra? Que irônico. Desisti de pensar no mal uso ou desperdício da palavra “morrendo” e mandei as favas os gritões que passavam na rua. Aí sim, dormi. E não morri (como está dando pra perceber).

Tchau.