Audrey não era normal

Patu Antunes em Barcelona

Nit… Julho 27, 2007

Arquivado em: Ar — Patu Antunes @ 2:17 am

Haruki Murakami disse que não pode viver na noite e ser um escritor ao mesmo tempo. Todos os dias, ele levanta às 6 da manhã. Faz cooper e natação. Come alimentos saudáveis. E dorme às 22. Se alguém me contasse que essa é sua rotina, eu a classificaria de insalubre (para a criatividade). E sem graça (por dedução). Masssssssss… estou falando de Murakami san, uma pessoa tão “racional” e paradoxalmente tão afeita a escrever maluquices deliciosas e incríveis… o que é que não se encaixa aqui???

A noite é algo que sempre me intrigou, atraiu e, não sei porquê, repeliu. Mas não mais que as claras horas. Me lembro com exatidão (dolorosa) dos dias em que tinha que levantar às 6 para ir à escola. Depois, inclusive, piorou: tinha que pegar o bus às 5h30. Era como se eu morresse a cada dia. Nascia morrendo. E no meio da sonolência e raiva surda, pedia aos céus pelos dias em que poderia levantar às 8.

Esses dias chegaram (alguns bons anos depois), mas hoje levantar às 8 da manhã continua me parecendo uma violência. E a noite… bom, um beijo doce. Às vezes, doce demais.

Quando vejo, geralmente neste computador, que a meia-noite se aproxima, é quando me dou conta de que estou em pleno terceiro turno de trabalho. É quando mais quero escrever, mais ordenar o “lixo” mental que vou acumulando ao longo dos dias. Mas também é quando quero sumir na terra. O silêncio, o silêncio, o silêncio.

Na vida prática… tudo incerto e nada resolvido. Resolvendo últimos detalhes pra poder REFAZER o trâmite de visto pela loja. Desejando ardentemente outro planeta onde morar. E trabalhando em trampos inesperados (abri página nova, “Estas linhas tortas”, para colocar eventuais trabalhos interessantes; vejam acima) . A vinda da Ju deu um break na agonia que havia se instalado na minha cabeça. Foi ótimo estar alguns dias com ela, na leveza, fazendo coisas inocentes (como ir às compras e tomar café da manhã na pracinha). Que venha outra vez……

 

Melodia em flor Julho 20, 2007

Arquivado em: Espaço — Patu Antunes @ 9:09 pm

Meu nome em mandarimMeu nome em mandarim

A Ju está aqui esta semana e para mostrar seu apreço, escolheu um nome chinês para mim. Ele significa “melodia em flor”. Poderia, na verdade, ter outros significados, já que as combinações são infinitas (é complicaaaaaaaaaado o mandarim, uff). Mas escolhemos essa.

A pronúncia correta é difícil de explicar, mas é mais ou menos assim: Paaaaaaa-tiuuuuuuuuu, fazendo uma curva pra cima e pra baixo entre o “i” e o “u”, que não acaba de supetão e sim continuaaaaaa. Ou seja, é mesmo um nome muito melódico!

(Rodrigo, vou descobrir o seu. Você vai ficar feliz?)

Beijos.

 

O cocô na cereja do bolo Julho 16, 2007

Arquivado em: Fogo — Patu Antunes @ 12:04 am

Acabo de voltar de um fim de semana maravilhoso, delicioso, em Ceret, no interior da França, aqui pertinho. Fomos Marina e eu passar três dias com Jane (e Leo, o namorado de presumíveis 95 anos). Ceret é um vilarejo de 10 mil pessoas. Até 1714 era parte da Catalunha. Hoje não é mais, porém as semelhanças são grandes. Tem esse “charme” francês com o “despojamento”, let´s say, dos catalães.

Eu não sabia, mas este fim de semana seria de festa em Ceret. Dia nacional da França misturado com uma corrida de touros – ou seja, algo meio surreal porque a Catalunha NÃO é muito afeita à tradicionalíssima crueldade espanhola com esses bichos. No entanto, muitas bandeiras catalãs flamejavam pela cidade.

Na verdade, é tudo um pretexto para o povo se embebedar, dançar e ir pra lá e pra cá. Por nossa parte, fomos às praias nas cidadezinhas ao redor e à noite curtimos um pouquinho a festa. Até me espantei com a “espontaneidade” do povo. Todo mundo muuuuuuuuito comunicativo. Graças a deus que meu francês anda enferrujadíssimo e não dá pra nada mais.

Enquanto isso, na sala de justiça…

Volto, abro o computer e topo com um mail da Mia, minha segunda opção casamenteira, já que com a Tati melou geral. Bom, com ela também melou.

Ai, é demais pra minha cabeça. Vou tratar de escrever o que tenho que escrever aqui, decupar entrevista, o diabo a quatro. E amanhã chega a Ju (eba!!!!!!), Jane veio também ficar uns dias em Barça, tou lendo outro H.M…. foda-se o mundo.

Beijoooooooo.

 

Nada como um stress atrás do outro Julho 11, 2007

Arquivado em: Ar — Patu Antunes @ 4:47 am

Brincadeira. Não estou mais (tão) estressada, não. Acabo de voltar do show do Lenine, um show liiiiiiiiindo, num teatro liiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiindo, ao ar livre, pertinho das nuvens. :) )

Pena que o nosso país seja essa esculhambação-geral-da-república-das-bananas. Arte da boa tem – o Lenine prova isso ao cubo. Agora só falta virar um lugar civilizado. Será que a guerra civil (no sentido formal do termo) virá antes? A arte não há de deixar (ou vamos assumir que caberá ao futebol salvar a pátria?).

No mais, conversas importantes aqui na casinha, trabalho até tarde, insônia, medo das cucarachas… e zero gatinhos no pedaço. Parece ruim. Mas não. Tenho fé de que o eterno (eterno mesmo, já estou convencida) caos da minha vida, algum dia, dará em algo maravilhoso. (Eu só peço estar viva para desfrutar). Beijo.

 

O refúgio de um bom livro Julho 3, 2007

Arquivado em: Sem categoria — Patu Antunes @ 4:29 am

Estou lendo “Sueño profundo”, de Banana Yoshimoto. Acho que é a melhor coisa que já vi sobre esse assunto precioso que é o sonho. Dadas as circunstâncias atuais, ler “Sueño profundo” é mais que relax, terapia ou exercício mental. É um rincón seguro, um espaço inalienável de conforto que parece não encontrar sentido fora das suas páginas – e como tal me deixou completamente dependente. Preciso de “Sueño profundo” hoje e especialmente desde sexta passada, o dia que a casinha aqui caiu.

Não vou entrar em detalhes sórdidos ou inocentes, detalhes de qualquer espécie. Mas eu decidi que vou aprender (ah, vou) a calar minha grandíssima boca – e fechar a porteira dos amigos. Não quero mais amigos, faz tempo aliás que NÃO quero me enrolar com as histórias dos outros. Deu. Preciso de relações superficiais, amigos de balada, de cinema, de shows, pra tomar sorvete, pra fuck-fuck. E . Usar meu tempo assim, com simplicidade e leveza, sem riscos desnecessários. Como diz a Jane, tenho que aprender a ser less, honey, urgently less.

Quem sabe assim eu me concentro no que de fato interessa?? (Não vejo a hora desse planeta idiota acabar – e como diz o pai da Bianca, salvar o planeta? Pra quê?????? FODA-SE O GREENPEACE!!!!!!! ).