Haruki Murakami disse que não pode viver na noite e ser um escritor ao mesmo tempo. Todos os dias, ele levanta às 6 da manhã. Faz cooper e natação. Come alimentos saudáveis. E dorme às 22. Se alguém me contasse que essa é sua rotina, eu a classificaria de insalubre (para a criatividade). E sem graça (por dedução). Masssssssss… estou falando de Murakami san, uma pessoa tão “racional” e paradoxalmente tão afeita a escrever maluquices deliciosas e incríveis… o que é que não se encaixa aqui???
A noite é algo que sempre me intrigou, atraiu e, não sei porquê, repeliu. Mas não mais que as claras horas. Me lembro com exatidão (dolorosa) dos dias em que tinha que levantar às 6 para ir à escola. Depois, inclusive, piorou: tinha que pegar o bus às 5h30. Era como se eu morresse a cada dia. Nascia morrendo. E no meio da sonolência e raiva surda, pedia aos céus pelos dias em que poderia levantar às 8.
Esses dias chegaram (alguns bons anos depois), mas hoje levantar às 8 da manhã continua me parecendo uma violência. E a noite… bom, um beijo doce. Às vezes, doce demais.
Quando vejo, geralmente neste computador, que a meia-noite se aproxima, é quando me dou conta de que estou em pleno terceiro turno de trabalho. É quando mais quero escrever, mais ordenar o “lixo” mental que vou acumulando ao longo dos dias. Mas também é quando quero sumir na terra. O silêncio, o silêncio, o silêncio.
Na vida prática… tudo incerto e nada resolvido. Resolvendo últimos detalhes pra poder REFAZER o trâmite de visto pela loja. Desejando ardentemente outro planeta onde morar. E trabalhando em trampos inesperados (abri página nova, “Estas linhas tortas”, para colocar eventuais trabalhos interessantes; vejam acima) . A vinda da Ju deu um break na agonia que havia se instalado na minha cabeça. Foi ótimo estar alguns dias com ela, na leveza, fazendo coisas inocentes (como ir às compras e tomar café da manhã na pracinha). Que venha outra vez……
