Audrey não era normal

Patu Antunes em Barcelona

O Brasil não é um país (é um absurdo permanente) Junho 27, 2007

Arquivado em: Fogo — Patu Antunes @ 2:47 pm

Real? Não, só pode ser surreal. O Brasil é uma fantasia, um absurdo possível e intragável. Digo isso depois de acompanhar o noticiário sobre a empregada doméstica espancada por uns monstros no meio da rua. Incrível: eles justificaram a barbárie dizendo que achavam que se tratava de uma puta (e se fosse????). Mais: o pai de um deles diz que seu filho não deveria ser preso, já que cadeia é pra bandido e seu filho… bom, é um rapaz com “um futuro” (um futuro espancando mulheres, ele quer dizer). Também: a mãe de outro acredita na inocência da cria, que não diz não ter participado da selvageria – apenas observou e achou engraçado.

Até quando alguém vai achar normal (N-O-R-M-A-L) a violência contra mulheres, e ainda mais assim tão descarada??? Me deixa estarrecida a tendência, como sempre, de “complexizar” o assunto. Os jornais ou se limitam a narrar os acontecimentos grotescos ou querem fazer um tratado social e psicanalítico sobre o tema… é uma “profunda questão” de falta de controle de pais sobre seus monstrinhos, reflexo da desigualdade de classes no Brasil, da herança da escravidão, e blablabla. Oras!!! Quando acontece algo do estilo aqui, o discurso é claro: isso se chama violência contra a mulher, tem lei e o indivíduo, sem sombra de dúvida, tem seu lugar reservado na cadeia!!!!! Chega de perversidade. Bastaaaaaaaaaaaaaaa.

 

Stock Exchange… Woman… Junho 25, 2007

Arquivado em: Espaço — Patu Antunes @ 2:22 am

Ok, vamos lá. Hoje foi um dia de sol. Sol. Soooooooooooooooooooool. Fomos à praia, pouco a pouco nos encontrando, na preguiça da areia asquerosa da praia de Barcelona ciudad. Ok, nos adaptamos, perdoamos, queremos o sol. Sooooooooooooooooooooooooool. E aí ficamos, estiradas (os), bebendo do sol. Sonhar sob a luz solar é diferente. Porque… porque eu pulo aquela fase de muitas cores do sonho ordinário, das cores hipnotizantes que te embalam rumo ao sonho de uma noite inocente, para os sonhos sedentos daquilo que realmente faz falta em cada dia, fuckin’ dia.

Ground control to Major Tom… take your protein pills and put your helmet on…..

Acho que estou ficando disléxica, literal mas também (des)figuradamente disléxica……………………….

I’m stepping through the dark… and the stars look very different today……………..

Ground control to Major Tom, your circuit’s dead……… Can you hear me Major Tom????

……….

Now it´s time to leave the capsule…….. if you dare….

……….

 

Calçada para um Junho 22, 2007

Arquivado em: Fogo — Patu Antunes @ 1:50 pm

Me roubaram um beijo. Assim, no meio da rua, da tarde, do calor, assim, inesperado, impulsivo. Eu não esperava mais encontrar pessoas despudoramente impulsivas e desejosas na vida – muito menos por aqui, muito menos em uma tarde ordinária. Mas aconteceu. Fui fazer uma entrevista e o entrevistado, além de uma simpatia total, cismou que queria me dar um beijo. Só não me avisou antes. E enquanto andávamos, batendo papo, rumo ao metrô, PAM! Um beijão roubado, assim, sem mais nem menos, no meio da rua, da tarde, do calor.

 

Solstício de verão… Junho 21, 2007

Arquivado em: Ar — Patu Antunes @ 3:22 am

E eu viro loba? Não, só vou sentir mais calor, suar, adorar ter a camiseta colada nas costas, detestar a calça jeans que eu amo… É verão!!!!!!!!! Há 13 minutos, aqui, nos despedimos da primavera. Bom, isso não quer dizer nada, com o samba-do-crioulo-doido que virou o clima no planeta… apenas que é tempo de relaxar o máximo possível e curtirrrrrrrr….. :) )

Estava lendo uma entrevista do Beto Brant e ele falava que o ator do seu novo filme (que eu não verei certamente, mas que gostaria muito de ter a oportunidade) é uma pessoa “solar”. Em outra entrevista, ele fala de “solar” de novo. Me dei conta, com um pouco de tristeza, que sou menos “solar” que antes. Quero dizer, não sou “solar” at all.
Algum dia fui??? Acho que quando era criança, que descia gritando, histérica, uma rampinha que tinha lá no condomínio, numa bicicleta azul. Ou quando gargalhava mais alto que todo mundo e não via nenhum problema em parecer uma gaivota doida.

Bom, vou dormir!!! Tou com uma alergia horrível, tá me deixando nervosaaaaaaaaaaaa……….

Beijo.

 

Exasperada Junho 16, 2007

Arquivado em: Terra — Patu Antunes @ 2:13 am

Hoje (ou foi ontem?) li que uma professora primária de Chicago pega imagens exclusivas da Nasa no monitor de TV que ela usa pra controlar seu bebê dentro de casa. Ao invés de ver a pimpolha se lambuzando ou pondo o quarto de ponta-cabeça, a família está vendo imagens da estação espacial Atlantis. Tudo com aquela rapidez dos astronautas no espaço. O que mais me chamou a atenção foi que a mulher e seu marido ficaram tão hipnotizados com as imagens que não conseguem mais desgrudar o olho do “programa”. Vão chorar quando alguém cortar a transmissão.

É lógico que ninguém foi capaz de explicar como é que as imagens da estação foram parar na TV dessa casa – e só nessa. Isso me lembra algumas das histórias do H. Murakami. O surreal e o fantástico se encontrando. Pena que isso aconteça nos livros mas não comigo. Quer dizer, às vezes claro que acontece – mas sempre é algo tão bom quanto jiló. Por que o acaso de Paul Auster não me presenteia também? Não, não. Eu tenho que aprender que sou deste tempo, dessas células, dessas aspirinas. Não sou outra coisa senão muitas e infindáveis dúvidas.

Nossa, que sono. Sonhos, sonhos, sonhos………… essa é a melhor parte.

 

Estado indefinido Junho 14, 2007

Arquivado em: Água — Patu Antunes @ 12:56 am

Ando tããão sonolenta. Estarei cansada? Sei lá, vai ver estou inquieta, mas inquieta-slow-motion. Os fatos: desde quinta passada tenho saído de copas, copitas e porres no sentido estrito do termo. Entre ver Iéri e Shideh, que voltaram finalmente (do Brasil e do Irã, respectivamente), e cair na night, tenho tido a sensação de que sou agora espectadora dos acontecimentos. Eu não-estou (com hífen mesmo), nem aqui nem em mim. Eu sou uma complicação mesmo, já sei.

Tudo continua cloudy sobre minha documentação. Minha irmã e o Babão estão tentando pegar uma certidão em Brasília e aí tem todo o trâmite burocrático antes de mandar pra cá. Por outro lado, conheci um uruguaio que casou com outro uruguaio-espanhol apenas pra resolver o lance do visto de trabalho. Ele me deu o caminho das pedras. A Iéri também me aconselhou porque passou pelo mesmo processo. Bom, o lance agora é conversar sério com a Tati. E aí decidir o caso.

(…)

Pensando agora, acho que me sinto estranha porque estou guardando um segredo. Vou contá-lo, um dia. Mas agora não. Primeiro quero ver como me sinto em relação ao que rolou – ainda que tenha que guardá-lo só pra mim. E que impacto PRÁTICO produzirá na minha vida. Espero sair dessa com menos minhoca. E com mais compreensão sobre as coisas…

Beijoca.

 

Meu acidente de bicicleta comigo mesma Junho 4, 2007

Arquivado em: Terra — Patu Antunes @ 4:38 am

Passei por alto, no post anterior, do acidente que mudou minha vida nesses dois últimos dias. Então, conto agora como foi meu quase encontro com o “más allá”.

Saí eu da praia no sábado, às 16h15, felicíssima por poder tomar sol e não morrer de frio nem ser soterrada por uma tempestade de areia. Fui ao estacionamento das bicicletas públicas que agora são a febre de Barcelona. É um serviço pra substituir o uso de metrô ou bus: paguei 6 euros por um ano de uso de umas bikes básicas, mas suficientes pros trajetos de meia hora que nos permitem por esse dinheiro. Peguei a minha, ajeitei o selim e, hum, vi que a chave que mantém o dito-cujo firme não se ajustava muito bem e que ficou meio pra fora. Mas, já estava na pressa pra ir pro trampo, e, vum!, fui embora.

Não pedalei cinco vezes, quando me dei conta que a tal chave se enroscava na minha perna e, pior, me distraía de uma decisão crucial: sigo reto ou vou à direita? Daí já não sei direito o que aconteceu, mas o guidón (guidão????) virou pra esquerda de repente e pra não ir direto de fuça pro chão, pulei da bici. Aí o castigo: canela direto no pedal e guidão (guidón????) em algum ponto que na hora nem consegui identificar, graças às estrelas que vi com minha canela em pedaços.

Xinguei os astros até acabar o repertório e aí olhei pra baixo. Não tinha mais uma canela e um pé, mas sim uma pata de elefante!!!!!!!! E pânico total: a poooooooooooooorrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrra do pedal foi direto naquela veiona gigante que tenho saltada…….. Não tive dúvidas: retomei a meeeeeeeeeeeeerrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrda da bici e pensei “Vou morrer, vou morrer”…… Imaginei minha artéria principal destroçada, o sangue não chegando mais ao cérebro, coração e etc., e eu desfalecendo no meio da rua (e ainda com um dos milhões de caminhõezinhos da BCNeta – a companhia de limpeza – passando por cima…).

Bom, como dá pra perceber, nada disso aconteceu. Fui correndo o tanto que podia para a loja, estacionei a inimiga, liguei pra Anna, ela morreu de rir, eu fiquei mais puta ainda e saí pulando em um pé só até a farmácia mais próxima. A farmacêutica olhou a canela e me deu os pêsames. Perguntei se era normal doer tanto (só pensava na minha artéria destroçada, eu morrendo de repente no meio da rua……) e ela até riu. É óbvio, né fofa? Foi direto no osso, tá inflamado…
Caralhoooooooooooooooo. Me deu um tal de Trombocid (Trombo = tromba = elefante) e avisou: vai doer. Nessa hora eu só pensava que no mínimo ia chegar mancando na festa da Grazi à noite, que não ia poder sair pra dançar, que ia morrer no meio da rua porque minha artéria tinha ido pro pau… quem sabe, poderia sobreviver porque um pouco de sangue ia ser bombeado, mas ia ficar com sequelas…. Aí abri a loja e já entraram clientes e eu já queria mandar todos à puta que pariu.

Não mandei ninguém pra aquele lugar, claro, e quando fiquei sozinha, passei a tal pomada. Doeu mesmo, mas nem tanto. Só fiquei esperando a morte chegar, mas chegou foi um casal de velhotes alemães que no final das contas não levou nada. Buf. Aí, de uma hora pra outra, lembrei que a Nicole teve um tio que levou uma pancada na perna, não curou a inflamação direito e num dia muito triste descobriu que tinha um tumor. Morreu de câncer depois de uma pancada idiota. Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh……..

Afastei esse pensamento e resolvi procurar onde tinha sido a outra pancada. Descobri que tinha um hematoma, putz, do tamanho de uma MANGA na coxa. É desproporcional à minha anatomia: o roxo ocupa metade do meu cambito!!!!!!!!! Como passei a tal Tromba tarde demais, o raio do hematoma não sumiu. Serão umas duas semanas coxa porque tenho um hematoma na coxa. Ridículo.

Bom, vou dormirrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr……… Saco.

Beijo.

 

Sputnik, mi amor Junho 4, 2007

Arquivado em: Água — Patu Antunes @ 2:48 am

Também conhecido como “Minha querida Sputnik”, esse é mais um livro da contínua adição a H. Murakami, meu ídolo, meu amor, meu tesão (o que falam dos japas NÃÃÃO pode ser verdade ou meus sonhos serão destroçados……..). Acabei de consegui-lo e estou contando os dias para devorá-lo na cama. Acho que vai ser hoje!!! Depois publicarei as minúcias.

Hoje dia de praia deliciosa, algo de sol peguei, ainda que toda besuntada de protetor e com um hematoma do tamanho de uma manga na perna. Ontem fiz uma tremenda barbeiragem com a bici (é mentira esse negócio de que uma bici nunca se esquece… eu já quase fui atropelada, atropelei, caí e bati MUITAS vezes nos últimas dias) e achava que não iria pôr as patas na areia por uma semana. Mas resolvi deixar a vergonha de lado e fui toda coxa para a praia. Lindo, lá vem a coxa de abóbora, alguém com certeza pensou.

O resultado foi um dia ótimo, de absoluta preguiça, sem trabalho, sem minhoca. Só Roger que me ligou porque “tenemos que hablar” e marcamos pra amanhã. Até já imaginei a conversa toda, ri com as meninas sobre isso, mas vou deixar claro que melhor deixar essa história quieta. Ele está superestressado com os pais doentes e velhinhos. E eu não quero mais ouvir notícias de doença (só as da minha irmã e pronto). Prou! Quero voltar a curtir a vidaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa…………………………………..

Beijo.