Passei por alto, no post anterior, do acidente que mudou minha vida nesses dois últimos dias. Então, conto agora como foi meu quase encontro com o “más allá”.
Saí eu da praia no sábado, às 16h15, felicíssima por poder tomar sol e não morrer de frio nem ser soterrada por uma tempestade de areia. Fui ao estacionamento das bicicletas públicas que agora são a febre de Barcelona. É um serviço pra substituir o uso de metrô ou bus: paguei 6 euros por um ano de uso de umas bikes básicas, mas suficientes pros trajetos de meia hora que nos permitem por esse dinheiro. Peguei a minha, ajeitei o selim e, hum, vi que a chave que mantém o dito-cujo firme não se ajustava muito bem e que ficou meio pra fora. Mas, já estava na pressa pra ir pro trampo, e, vum!, fui embora.
Não pedalei cinco vezes, quando me dei conta que a tal chave se enroscava na minha perna e, pior, me distraía de uma decisão crucial: sigo reto ou vou à direita? Daí já não sei direito o que aconteceu, mas o guidón (guidão????) virou pra esquerda de repente e pra não ir direto de fuça pro chão, pulei da bici. Aí o castigo: canela direto no pedal e guidão (guidón????) em algum ponto que na hora nem consegui identificar, graças às estrelas que vi com minha canela em pedaços.
Xinguei os astros até acabar o repertório e aí olhei pra baixo. Não tinha mais uma canela e um pé, mas sim uma pata de elefante!!!!!!!! E pânico total: a poooooooooooooorrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrra do pedal foi direto naquela veiona gigante que tenho saltada…….. Não tive dúvidas: retomei a meeeeeeeeeeeeerrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrda da bici e pensei “Vou morrer, vou morrer”…… Imaginei minha artéria principal destroçada, o sangue não chegando mais ao cérebro, coração e etc., e eu desfalecendo no meio da rua (e ainda com um dos milhões de caminhõezinhos da BCNeta – a companhia de limpeza – passando por cima…).
Bom, como dá pra perceber, nada disso aconteceu. Fui correndo o tanto que podia para a loja, estacionei a inimiga, liguei pra Anna, ela morreu de rir, eu fiquei mais puta ainda e saí pulando em um pé só até a farmácia mais próxima. A farmacêutica olhou a canela e me deu os pêsames. Perguntei se era normal doer tanto (só pensava na minha artéria destroçada, eu morrendo de repente no meio da rua……) e ela até riu. É óbvio, né fofa? Foi direto no osso, tá inflamado…
Caralhoooooooooooooooo. Me deu um tal de Trombocid (Trombo = tromba = elefante) e avisou: vai doer. Nessa hora eu só pensava que no mínimo ia chegar mancando na festa da Grazi à noite, que não ia poder sair pra dançar, que ia morrer no meio da rua porque minha artéria tinha ido pro pau… quem sabe, poderia sobreviver porque um pouco de sangue ia ser bombeado, mas ia ficar com sequelas…. Aí abri a loja e já entraram clientes e eu já queria mandar todos à puta que pariu.
Não mandei ninguém pra aquele lugar, claro, e quando fiquei sozinha, passei a tal pomada. Doeu mesmo, mas nem tanto. Só fiquei esperando a morte chegar, mas chegou foi um casal de velhotes alemães que no final das contas não levou nada. Buf. Aí, de uma hora pra outra, lembrei que a Nicole teve um tio que levou uma pancada na perna, não curou a inflamação direito e num dia muito triste descobriu que tinha um tumor. Morreu de câncer depois de uma pancada idiota. Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh……..
Afastei esse pensamento e resolvi procurar onde tinha sido a outra pancada. Descobri que tinha um hematoma, putz, do tamanho de uma MANGA na coxa. É desproporcional à minha anatomia: o roxo ocupa metade do meu cambito!!!!!!!!! Como passei a tal Tromba tarde demais, o raio do hematoma não sumiu. Serão umas duas semanas coxa porque tenho um hematoma na coxa. Ridículo.
Bom, vou dormirrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr……… Saco.
Beijo.