Eram 10 da manhã quando acordei. Que felicidade. Acordar às 10 da manhã. Nas últimas três semanas (com 5 dias de intervalo) estava saindo da cama, geralmente, às 6h30. Cheguei a levantar às 4h30 durante três dias. E hoje, oh, às 10 da manhã meu dia começava. Nada como mandar um job megatabajara à puta que pariu, ao rabo do grandíssimo papa, aos quintos…. É a civilidade voltando à minha rotina. Que, espero, retorna ao estado normal: frilar, traduzir, dar aulas de português e trabalhar 14 horas semanais na lojinha do Dani e do Roger. Tudo lindo.
Hoje minha irmã me disse que sumiu meu RG. E de uma hora pra outra me dei conta de outros fatos graves nessa minha vida desenfocada: estou sem RG, com o CPF suspenso, carteira de motorista vencida, sem justificativa eleitoral, carteiras de jornalista caducadíssimas, carteira de trabalho e certidão de nascimento também desaparecidas… e em 2008 vence meu passaporte. Estou, literalmente, “indocumentada” até no Brasil!!!!
É, devo estar precisando pôr “algo” nos eixos. Esse algo que me faz observar os fatos, mas não agir em relação a eles. Quer dizer, o que mais faço é “fazer”… mas é como cobrir a cabeça e deixar os pés fora do lençol. Pra mim, aos 33, é um mistério ter que resolver tantas coisas ao mesmo tempo – e ainda encontrar tempo pra ser feliz (hahahahahahahahahaahahahah). Sempre que tenho que teclar uma senha de banco, de e-mail ou dessas pragas de comunidades virtuais nas quais a gente se enreda sem nem saber porquê, me pego pensando que logo, logo, graças a deus, esquecerei tudo de supérfluo (e não supérfluo… é, o corpo padece). E voltarei a ter que falar com menos pessoas virtualmente; ir mais aos lugares; fechar contas de banco; jogar fora o cartão de crédito…
Mas enquanto esse dia não chega, sigo: retomar visto de trabalho, procurar trabalho, continuar trabalhando, ver os amigos, fuck-fuck, ler, escrever, ir ao cine……….. C’est la vie, mon amour.