Audrey não era normal

Patu Antunes em Barcelona

The day after Maio 31, 2007

Arquivado em: Terra — Patu Antunes @ 3:09 am

Eram 10 da manhã quando acordei. Que felicidade. Acordar às 10 da manhã. Nas últimas três semanas (com 5 dias de intervalo) estava saindo da cama, geralmente, às 6h30. Cheguei a levantar às 4h30 durante três dias. E hoje, oh, às 10 da manhã meu dia começava. Nada como mandar um job megatabajara à puta que pariu, ao rabo do grandíssimo papa, aos quintos…. É a civilidade voltando à minha rotina. Que, espero, retorna ao estado normal: frilar, traduzir, dar aulas de português e trabalhar 14 horas semanais na lojinha do Dani e do Roger. Tudo lindo.

Hoje minha irmã me disse que sumiu meu RG. E de uma hora pra outra me dei conta de outros fatos graves nessa minha vida desenfocada: estou sem RG, com o CPF suspenso, carteira de motorista vencida, sem justificativa eleitoral, carteiras de jornalista caducadíssimas, carteira de trabalho e certidão de nascimento também desaparecidas… e em 2008 vence meu passaporte. Estou, literalmente, “indocumentada” até no Brasil!!!!

É, devo estar precisando pôr “algo” nos eixos. Esse algo que me faz observar os fatos, mas não agir em relação a eles. Quer dizer, o que mais faço é “fazer”… mas é como cobrir a cabeça e deixar os pés fora do lençol. Pra mim, aos 33, é um mistério ter que resolver tantas coisas ao mesmo tempo – e ainda encontrar tempo pra ser feliz (hahahahahahahahahaahahahah). Sempre que tenho que teclar uma senha de banco, de e-mail ou dessas pragas de comunidades virtuais nas quais a gente se enreda sem nem saber porquê, me pego pensando que logo, logo, graças a deus, esquecerei tudo de supérfluo (e não supérfluo… é, o corpo padece). E voltarei a ter que falar com menos pessoas virtualmente; ir mais aos lugares; fechar contas de banco; jogar fora o cartão de crédito…

Mas enquanto esse dia não chega, sigo: retomar visto de trabalho, procurar trabalho, continuar trabalhando, ver os amigos, fuck-fuck, ler, escrever, ir ao cine……….. C’est la vie, mon amour.

 

Disattachment Maio 26, 2007

Arquivado em: Ar — Patu Antunes @ 1:13 am

Sabe a sensação de estar… no ar? Não de felicidade ou de ligeireza, mas de falta daquele “fio invisível” que liga esse mundo à nossa própria consciência. Me sinto assim. Desapegada. Estou aqui, mas ao mesmo tempo, não, não, não consigo entender como, o que, quem, onde… Por que???

Obviamente não levantei assim de um sonho bom ou ruim, do jantar, do livro, do msn. Levantei assim de mim mesma, dessa coisa insuportável que está sendo estar comigo. É sempre um drama, eu sei. Eu deveria me esquecer de uma vez por todas, me dar um fora definitivo. E ir à praia! Subir os Pirineus! Ir ao cine! Dormir!!!!!

Mas não sei por que não páro de pensar em mim e em como tudo agora parece doer em mim, coçar em mim, apertar em mim. Quero estar em paz nesse caos total que s-e-m-p-r-e é a vida.

Ok, eu gosto do caos. Sem emoção e profundidade, nada tem graça para mim. No entanto, um banho de sal grosso viria muito bem. Muito bem. Um banho como o das ondas do mar. O paraíso mora no infinito em um dia de sol na praia mais bonita do mundo.

 

C’est fini. Fini! Fini! Maio 25, 2007

Arquivado em: Terra — Patu Antunes @ 12:11 am

Marine andou me difamando por aí. Fiquei tão puta que até me deu vontade de esquecê-la. Como se ela tivesse morrido. Pois a partir de agora ela morreu pra mim. O melhor é que nem dói. (Se fosse assim com as pessoas que gosto…)

 

Abstraio ou me suicido Maio 19, 2007

Arquivado em: Água — Patu Antunes @ 2:54 am

Sou dramática mesmo, assumo. Exemplo prático: é forte a vontade de meter goela abaixo uma caixa de veneno pra rato. Nessas horas lembro da mulher que levou 15 anos pra assassinar o marido com doses diárias desse “remedinho”. Eu não levaria mais que 15 minutos. Bolinhas amargas e adeus, mundo. Vasto mundo. Eu não me chamo raimundo (graças a Deus, era só o que faltava).

Life goes on. Vou ter que RECOMEÇAR o trâmite do visto novamente. A burocracia não se entende a meu respeito. Plano A: Dani e Roger, donos da loja onde trabalho 14 horas semanais, vão me fazer a oferta de trabalho – quer dizer, vamos ver os detalhes da coisa porque não dá pra correr risco de novo. Plano B: boda.

É, boda. Vou casar. A primeira opção é a Tati, que tem cidadania espanhola e com quem de verdade moro há um ano. Mas, sei lá, é tããão estranho. A gente vai estudar o caso. Outra opção é achar algum gatinho dando sopa.

Caso Roger Rabbit

Subi nas tamancas com seu Roger no domingo. Mandei tomar no cu e tudo (espero que ele não leve muito a sério). Olha, pessoas são o ó. Meu reino por um cachorro. Mas, enfim, já passou. O resultado do stress todo é que ele, depois de pedir desculpas duas vezes, abstraiu. E foi cuidar da vida. Ou seja: não está mais me idolatrando. Com isso, me desconcertei. E resolvi cuidar da minha vida também.

Caso Paulo

Está aqui. Que estranho, quem diria. Quando eu pensaria que um dia voltaria a ver o Paulo???? Achava que nunca mais. A vida é esquisita. Muito esquisita mesmo.

 

Deu. Maio 18, 2007

Arquivado em: Terra — Patu Antunes @ 1:59 am

Fui renovar meu documento de permanência e mesmo com a denúncia contra Marine e o job novo tudo certinho, não pude deixar minhas impressões digitais. É o fim da picada. Exausta.

 

De volta ao mundo tabajara Maio 9, 2007

Arquivado em: Terra — Patu Antunes @ 1:05 am

Yep, quem tabajara é, tabajara será. Provavelmente esse é o mote do meu destino. Cruel, cruel.

Eu, que contente estava por ter conseguido trampar praticamente só em coisas da minha área ou fazendo coisas interessantes (ainda que nada a ver com comunic), voltei à tabajarice. O consolo: é por um objetivo maior.

No caso, o objetivo é ter um contrato com tudo em cima pra poder renovar visto – já que a filha da puta da Marine deu pra trás.

Aliás, é bom resumir o que rolou depois do post anterior: mil conversas infrutíferas com a vaca, fiz uma denúncia no Ministério do Trabalho (ela loguinho vai se foder porque a multa pra quem faz proposta de trabalho e depois não faz o registro em carteira é altíssima) , teoricamente ganhei mais tempo pra salvar meu visto, me descabelei, dei um crack na coluna, procurei jobs honestos como uma louca, achei um, dei outro crack na coluna, tive que ir pro massagista, fiz via-crúcis pelos escritórios da Extranjería, advogada, advogada, advogada… e tudo isso trabalhando ao mesmo tempo na loja do Dani e do Roger.

Bom, hoje comecei no job-tabajara novo. Pelo menos, uma coisa é diferente: pagam impostos, põem em carteira desde o primeiro dia e, se eu pensasse em estar tranquila em algum lugar, poderia ficar ali. Que job é esse? Vendedora em uma loja high style no aeroporto. Marcas: Cartier, Loewe, Montblanc, Hermès… Notícia ruim: horários rotativos e meio loucos. Vai ser foda combinar com a loja e os frilas. Mas quando penso que não tenho outra opção agora – e meu tempo tá acabando (se é que já não acabou) -, me concentro. É esse e pronto.

Enquanto isso, na sala de justiça…

Nessa confusão toda, quem subiu tremendamente na escala foi… o chefe. Que voltou do Marrocos muito mais sereno. E absolutamente tocado pela sacanagem da Marine. Só não rolou de eles (Roger + Dani) me fazerem o registro na carteira porque a atividade do meu visto é muito diferente da loja deles – e aí havia risco sério de fiscalização e multa. Mas acho que de todas as pessoas que conheci aqui até agora ninguém se mobilizou como eles para me ajudar concretamente a resolver um superproblema. Todo mundo é amigo, rarara, ririri, mas na hora do vamo-ver é que a gente vê.