Audrey não era normal

Patu Antunes em Barcelona

Misantropia braba Abril 30, 2007

Arquivado em: Fogo — Patu Antunes @ 1:41 am

Taí La Môme que não me deixa mentir: a humanidade é mesmo horrível. Mas e daí, né? Quem nunca se deu conta?

Esta que escreve está especialmente revoltada com… pessoas. Quero um gato, um cachorro, um hamster! Chega dessa coisa nojenta chamada gente.

O motivo desse sentimento obscuro, subterrâneo e miserável é que na quinta-feira, a três dias de acabar o prazo para o meu registro na Previdência Social (e com isso liberar o caminho pra renovar meu visto de permanência e entrar oficialmente pro mercado de trabalho), Marine decidiu NÃO me fazer um contrato.

Ok, do começo. Marine é a produtora da turnê internacional do Membros, o grupo de dança contemporânea de Macaé. Temos trabalhado juntos ocasionalmente, eu com a história de comunicação. Há um ano, diante do fim do meu visto de estudante, ela me propôs tramitar o visto de trabalho. Quer dizer, me fazer um favor, já que eu só faço free-lances pra ela, não sou fixa. Fizemos tudo (uma grana!), saiu meu visto e agora, no momento de me registrar como trabalhadora, TCHAN! A administradora da produtora diz que nem pensar porque eles já estão com mil trâmites com os bailarinos!!! Bom, não preciso dizer que surtei, né?

Na correria louca da quinta-feira, eu sozinha na loja (Roger e Dani estavam no Marrocos, fazendo as compras), chorando como uma madalena, consegui que um amigo, diretor de uma ong (meu visto é pra trabalho cultural e social), veja se pode me fazer um contrato temporário, de um mês. Pra ganhar tempo e ver como resolvo a situation! O que é o tédio? Juro que não sei!!!!!!!!!!! Não tenho tédio na vida, só mil confusões toda vez que acho que terei algo de tranquilidade!!!!!!!

Ou seja: amanhã é o dia do tudo ou nada. Ya os diré!

Beijos.

 

A iluminada Abril 23, 2007

Arquivado em: Espaço — Patu Antunes @ 1:47 am

Ainda estou em estado de choque. Acabo de ver “La Môme”, a cinebiografia de Edith Piaf. “Que ame, que ame, que ame”…

 

Pinceladas grossas na minha imaginação Abril 13, 2007

Arquivado em: Terra — Patu Antunes @ 3:11 am

Fui ao Sul da França no domingo de Páscoa, em duas cidadezinhas onde Picasso e Matisse puseram seus cavaletes. Em uma delas, Collieure, tem até uns pontos marcados com uma reprodução da obra ao lado da paisagem pintada. Estranha a sensação de ver aquelas pinceladas grossas de Matisse, sem definição alguma, e ao lado uma linda baía de mar turqueza, com barquinhos a vela, e praia de pedras lisas. Que imaginação.

No mais, foram dois (míseros) dias de descanso em companhia de Jane (minha amiga inglesa de 62 anos) & Leo (seu “amigo”) + Marina (amiga). Dormi uma siesta feliz nas tais pedras lisas da praia, comi, comi, comi, caminhei, bati papo, li. Tudo lindo. Na volta, na terça, stress: furaram o pneu do carro. Violência no primeiro mundo é assim: furam o pneu do carro pra levar a bolsa. Só que não contavam com nossa astúcia inconsciente: não paramos o carro, viramos pro lado errado e paramos na vaga privativa da prefeitura, com dois guardas de segurança na porta. Isso tudo no meio da quase histeria da Jane e da civilidade irritante do Leo (ex-diplomata britânico). Tinha que rolar uma chatice básica no final, né?

Na loja tudo ok, esperando com um pouco (pouquinho) de ansiedade pela quinta-feira (hoje). É que decidi dizer ao Roger que não rola o lance-romântico-chegado-a-fuck-fuck. Tsc, tsc. Tivemos um leve stress na semana passada, depois de uma conversa toda agradável, e aí me senti mais longe do que nunca da vontade de estar com ele. Não houve, digamos, “entrosamento” o suficiente. E aí hoje eu não sabia o que ia encontrar. Pra minha surpresa…

Encontrei um homem de 42 anos sem qualquer traço daquela fragilidade irritante da semana passada. Meio chato no trabalho – é, não tem jeito, não é muito fácil pra mim separar as coisas -, mas ok. Conversamos na buena sobre minha aridez afetiva, acho que não vou ser despedida por isso. E nos vemos em maio. Sábado eles (os bosses) vão pro Marrocos e ficarei all by myself.

(Mas, muito entre parênteses: sabe que acho que a história não morreu de todo? Quem sabe bêbada não rola?)

 

A TPM é inimiga da decisão Abril 6, 2007

Arquivado em: Ar — Patu Antunes @ 3:17 pm

Ontem percebi que estou em plena TPM. O inferno histérico da TPM. Pelo menos desta vez não dei escândalo nem briguei com ninguém. Mas entre um minuto e outro, no job, tratando com o chefe, percebi que essa história não vai adiante. Não pode. E o abismo da impotência surgiu.

Basicamente porque ele é meu chefe. E isso me coloca em uma posição desconfortável por muitos motivos: marca uma hierarquia facílima de confundir, embaralha as funções de cada um na loja e… faz ele ser meu CHEFE. E pra mim isso é uma merda.

Somando isso ao fato de que ele não tem “o” tipo que eu aprecio, que não me atraiu imediatamente, que leva tudo que digo ao pé da letra (e isso irrrrrrrrita) , que não curte night… sei lá, me bateu um desânimo.

Mas eu tou na TPM.

 

A paixão alheia e meus lóbulos vermelhos Abril 3, 2007

Arquivado em: Fogo — Patu Antunes @ 1:00 am

Não sei até que ponto é alheia, na verdade estou bem confusa. Confusa. Que palavra interessante. Mas meu estado não tem nada de interessante. Apenas a habitual e irritante confusão mental. E, agora, meus misteriosos lóbulos vermelhos. É, lóbulos, da orelha.

Meus lóbulos ficam vermelhos e até doem. Isso desde que fiz um tratamento homeopático e com acupuntura há quatro anos. Sabe aquelas sementes que enfiam na orelha e que doem pra caralho? Elas já saíram dos meus lóbulos (há quatro anos), mas os tais doem. Não todos os dias, mas ultimamente de vez em sempre.

Já saquei que minha orelha dói, queima e eu, imaginariamente, a estraçalho, quando algo vai fora do normal caos da minha vida. Quer dizer, ou vida está mais caótica do que o normal, ou está tão normal que fica caótica. No caso desses últimos dias, tenho quase certeza que minhas orelhas gritam de paixão.

É, não era o cereal do leite ou o excesso de vegetais na dieta. Meu chefe disse, com muito esforço e o coração acelerado que está em processo de “gostar” de mim. Bonitinho, né? Só que tudo que queria, naquele momento, era um buraco para desaparecer. Eu, a avestruz. Depois pensei: “bem que eu podia ser menos covarde”. Mas não fui. Como sempre, calei. Fui pra casa com a cabeça atravessada de setas interrogativas para mil direções diferentes.

Outro dia li uma matéria sobre como, cada vez mais, as crianças se apaixonam e, meu deus!, são capazes de levar adiante seus “relacionamentos”. Eu não posso fazer isso. E é ridículo.

Mas não que seja só um “negar o amor”. Meu caso, obviamente, não é assim preto-e-branco. Ele, o que se declarou, não é meu “tipo”, fisicamente falando. Por exemplo, tem 42 anos. Onde fica minha fama de pedófila??? Não rolou um fuck-fuck sensacional logo de cara (não rolou fuck-fuck nenhum, aliás). Não nos conhecemos bêbados. Não tem um quê de rebeldia, depressão ou fracasso…

Por outro lado, é sensível, gracinha, educado e reservado. E, principalmente, está cuidando da cabeça.

Eu me sinto deplorável sobre tudo isso. Não tenho coragem de ir adiante, mas também como as unhas de imaginar o que poderia estar deixando de viver. Cada vez detesto mais esses começos. Odeio os começos. Odeiooooooooo. Tchau.